quinta-feira, 23 de julho de 2026
Um homem de 54 anos foi preso na terça-feira (21), em Anápolis, suspeito de manter o enteado, de 13 anos, acorrentado a um sofá e trancado sozinho em uma sala comercial. Segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO), ele é investigado pelos crimes de maus-tratos e cárcere privado.
A prisão ocorreu seis dias após o resgate do adolescente, realizado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O suspeito foi localizado na rodoviária de Anápolis enquanto, de acordo com a investigação, tentava deixar a cidade.
Conforme a delegada Aline Cardoso, responsável pelo caso, o menino foi encontrado sozinho em uma sala comercial fechada por uma porta metálica trancada pelo lado de fora, sem janelas e sem saída de emergência. Os policiais chegaram ao local após ouvirem gritos e choros vindos do interior do imóvel e conseguiram entrar com uma chave reserva fornecida pelo proprietário.
Após ser resgatado, o adolescente relatou que era mantido preso por correntes e agredido com frequência. Ele mostrou aos investigadores ganchos escondidos atrás de um sofá, onde, segundo afirmou, as correntes eram fixadas para impedir sua movimentação.
Exames iniciais constataram diversas lesões pelo corpo, principalmente nos braços, pernas e peito. De acordo com a Polícia Civil, uma das marcas no tórax teria sido causada por golpes com um cipó, conforme relato da própria vítima.
Durante a vistoria, os policiais também constataram que o adolescente dormia em um sofá utilizando apenas uma coberta, enquanto a mãe e o padrasto dormiam em uma cama.
A mãe do adolescente foi conduzida à delegacia para prestar depoimento. A Polícia Civil apura a participação dela no caso, mas informou que há indícios de que a mulher também possa ser vítima de violência doméstica e que teria sido impedida pelo companheiro de procurar o filho.
O adolescente possui diagnóstico de autismo e esquizofrenia e faz uso contínuo de medicamentos, conforme prontuário médico. Após o resgate, ele foi encaminhado para atendimento médico e permaneceu internado devido ao estado de saúde.
A Prefeitura de Anápolis informou que busca um cuidador para o adolescente, já que não há familiares aptos para assumir sua guarda no momento.
A Polícia Civil também investiga se o menino recebia algum benefício em razão da condição de saúde e se os responsáveis utilizavam esses recursos. A identidade do suspeito não foi divulgada. Se condenado pelos crimes investigados, ele poderá cumprir pena de até 13 anos de prisão.
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