sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Foto: Freepik
Uma mulher que matou o próprio irmão durante uma briga familiar foi absolvida pela Justiça em Rio Verde, no Sudoeste de Goiás. A decisão reconheceu que ela agiu em legítima defesa e encerrou o processo antes que o caso fosse levado ao Tribunal do Júri.
O episódio aconteceu em dezembro de 2025. Conforme o processo, Verônica Damaceno Severo se envolveu em uma briga com o irmão, Francisco das Chagas Damaceno, de 35 anos, após tentar ajudar a mãe dos dois.
Segundo os autos, a mãe teria procurado Verônica após ser impedida pelo filho de entrar na própria residência. Os irmãos moravam no mesmo terreno. Verônica foi até o imóvel para auxiliar a mãe e, durante a situação, Francisco teria impedido que ela deixasse o local.
A discussão evoluiu para luta corporal. Durante o confronto, Verônica pegou uma faca na cozinha e atingiu o irmão no pescoço. Em seguida, também teria utilizado um facão. Francisco não resistiu aos ferimentos.
O Ministério Público de Goiás (MPGO) havia acusado Verônica de homicídio qualificado por meio cruel. A defesa, por outro lado, sustentou que ela agiu para se proteger durante as agressões e pediu a absolvição.
Testemunhas relataram histórico de conflitos
Durante o processo, testemunhas afirmaram que Francisco apresentava histórico de comportamento agressivo e conflitos familiares. A mãe dos envolvidos relatou ainda que o filho fazia uso de álcool e drogas e já havia ameaçado e agredido parentes.
Guardas civis municipais que atenderam à ocorrência constataram que Verônica apresentava escoriações nos braços.
O filho dela, que presenciou parte da briga, afirmou que não conseguiu visualizar toda a sequência dos acontecimentos devido à escuridão, à chuva forte e à lama no local.
Em depoimento, Verônica declarou que pegou a faca enquanto tentava se livrar das agressões. Sobre o facão, afirmou não se lembrar exatamente de como passou a utilizá-lo, pois estava muito abalada.
Justiça reconhece legítima defesa
Na decisão, o juiz Cláudio Roberto Costa dos Santos Silva, da 4ª Vara Criminal de Rio Verde, considerou que as provas não permitiram determinar com segurança toda a dinâmica da briga.
Embora tenha ficado comprovado que Francisco foi atingido por uma faca e um facão, não foi possível estabelecer se houve interrupção da luta ou se as agressões contra Verônica ainda estavam ocorrendo no momento dos golpes.
Também não houve, segundo a decisão, elementos suficientes para comprovar que a mulher já havia controlado a situação e, mesmo assim, continuou atacando o irmão.
Diante das circunstâncias e da ausência de provas suficientes de eventual excesso, a Justiça reconheceu a legítima defesa e absolveu Verônica. Com isso, ela não será submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri.
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