quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Bancários de todo o Brasil aprovaram uma paralisação de 24 horas para esta quinta-feira (20), em meio às negociações da Campanha Nacional Unificada 2026. A decisão foi tomada em assembleias realizadas na segunda-feira (17), após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenab).
Segundo as entidades que representam os trabalhadores, a insatisfação aumentou depois que a Fenab não apresentou um índice de reajuste salarial e colocou em discussão o congelamento do piso de ingresso para novos bancários. Também foram mencionados reajustes diferenciados para três faixas salariais, sem detalhamento dos percentuais e critérios.
Na rodada de negociação realizada na quinta-feira (13), que durou quase oito horas, os bancos chegaram a propor valores menores para os vales-refeição e alimentação em cidades do interior. Conforme as entidades sindicais, também foi mencionada a possibilidade de recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para implementar o modelo. A proposta, porém, acabou retirada após um intervalo nas negociações.
A paralisação foi divulgada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e por sindicatos da categoria em diferentes estados.
No Distrito Federal, a adesão ainda depende do resultado das negociações. A assembleia aprovou que a paralisação seja confirmada caso as rodadas previstas para terça (18) e quarta-feira (19) não apresentem propostas consideradas satisfatórias pela categoria.
O Comando Nacional dos Bancários e a Fenab seguem negociando. O processo começou em 24 de junho, quando os trabalhadores entregaram a pauta de reivindicações. Desde então, as discussões têm abordado temas como emprego, tecnologia, saúde, igualdade de oportunidades e questões econômicas.
Os resultados divulgados pelos sindicatos mostram ampla rejeição à proposta dos bancos. Na Paraíba, 96,48% dos participantes votaram contra a proposta e 95,02% apoiaram a paralisação. Em São Paulo, a rejeição chegou a 97,66%, enquanto 89,34% foram favoráveis à suspensão das atividades.
No Rio de Janeiro, entre 1.808 participantes, 1.760 rejeitaram a proposta apresentada pelos bancos e 1.709 votaram favoravelmente à paralisação.
As entidades sindicais afirmam que a mobilização busca pressionar por avanços nas negociações e impedir perdas em direitos e benefícios da categoria.
Entre as principais reivindicações estão aumento real dos salários e demais remunerações, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), recomposição dos vales-alimentação e refeição, manutenção dos empregos e das agências bancárias e ampliação das contratações.
A pauta também inclui medidas contra metas consideradas abusivas e o chamado assédio algorítmico, além de propostas de igualdade de oportunidades para mulheres, negros, pessoas com deficiência (PCD) e população LGBTQIA+.
A Contraf ainda reivindica a criação de um piso salarial para profissionais de Tecnologia da Informação (TI) e a manutenção da mesa única de negociação, com cobertura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para toda a categoria.
Como argumento durante as negociações, as entidades dos trabalhadores destacam os resultados financeiros dos bancos. Segundo dados apresentados pela Contraf, o patrimônio líquido do setor bancário alcançou R$ 1,2 trilhão em 2025.
A entidade também afirma que o vale-alimentação acumula perda real de 13% entre 2019 e 2025. Pelos cálculos apresentados pelo movimento sindical, para recuperar o poder de compra de 2019, o benefício mensal precisaria passar de R$ 924,47 para R$ 1.293,73.
Outro ponto levantado pelas entidades é a redução da estrutura física do sistema bancário. Segundo o Comando Nacional dos Bancários, aproximadamente 88 mil postos de trabalho foram eliminados e 9,5 mil agências fecharam entre 2015 e 2025, enquanto aumentou a contratação de prestadores de serviços terceirizados pelos cinco maiores bancos.
A categoria também aponta impactos sobre a saúde dos trabalhadores. Conforme os dados apresentados pelos representantes dos bancários, 40% fizeram uso de medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, entre maio de 2025 e maio de 2026.
A paralisação desta quinta-feira é tratada pelas entidades como um movimento de advertência de 24 horas, enquanto trabalhadores e representantes dos bancos continuam as negociações da campanha salarial de 2026.
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