domingo, 06 de abril de 2025

Tarifaço dos EUA ameaça exportações brasileiras de suco de laranja, carne bovina e etanol, afirma CNA

POR Marcos Paulo dos Santos | 05/04/2025
Tarifaço dos EUA ameaça exportações brasileiras de suco de laranja, carne bovina e etanol, afirma CNA

Foto: Trump White House Archived

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alertou para os impactos negativos que o novo pacote de sobretaxas adotado pelos Estados Unidos pode gerar nas exportações brasileiras, principalmente nos setores de suco de laranja, carne bovina e etanol. A medida, anunciada pelo governo de Donald Trump, afeta produtos importados com o objetivo de proteger a produção interna, mas pode atingir duramente o Brasil, que tem forte presença nesses mercados.

 

Segundo análise da CNA, os prejuízos mais relevantes ocorrem justamente onde o Brasil domina o fornecimento aos EUA. No caso do suco de laranja, por exemplo, o Brasil representa 90% das importações americanas da versão resfriada e 51% da congelada. Para o etanol, o Brasil é responsável por 75% do volume importado, e na carne bovina termoprocessada, por 63%.

 

A confederação destaca que, nesses casos, o Brasil não tem espaço para “substituição competitiva”, ou seja, não há como outros países se beneficiarem do espaço deixado pelas exportações brasileiras, pois o Brasil é praticamente o único fornecedor relevante.

 

A CNA elaborou uma projeção preliminar com base na sensibilidade do mercado americano à variação de preços e estima perdas consideráveis:

 

  • Suco de laranja: queda de 1,004 bilhão de litros para 261 milhões de litros exportados ao ano, com a tarifa passando de 5,9% para 15,9%. Isso representa uma redução de 743 milhões de litros.
  • Etanol: retração de 337 milhões para 296 milhões de litros exportados, com tarifa aumentando de 2,5% para 12,5%.
  • Açúcar: perda de 28 mil toneladas, caindo de 73 mil para 45 mil toneladas exportadas, com tarifa subindo de 33% para 43%.
  • Carne bovina congelada: recuo de 20 mil para 3 mil toneladas exportadas, com aumento da tarifa de 26,4% para 36,4%.

 

A confederação também alertou que o Brasil pode perder espaço em produtos em que complementa a produção americana, como é o caso da carne bovina (em que o consumo americano é maior do que a produção local) e do óleo de soja. Nesse cenário, o agronegócio brasileiro pode sofrer duplamente: pela perda de competitividade e pela retração na demanda.

 

A CNA pondera que desvios de comércio ainda podem ocorrer, favorecendo o Brasil em certos produtos se concorrentes forem mais penalizados. No entanto, para os itens onde o Brasil é líder absoluto, como o suco de laranja, os efeitos serão diretos e expressivos.

 

Com informações de Canal Rural.

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