sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Goiás

Expedição Safra aponta leve queda na produtividade da soja em Goiás

POR Marcos Paulo dos Santos | 23/01/2026
Expedição Safra aponta leve queda na produtividade da soja em Goiás

Foto: Faeg

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A terceira edição da Expedição Safra Goiás 2025/2026, realizada pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag em parceria com sindicatos rurais, percorreu mais de 30 municípios goianos nas rotas Leste e Oeste e reforçou seu papel como uma das principais ações de monitoramento técnico das lavouras no estado.

 

O levantamento indica que a produtividade média da soja em Goiás deve ficar entre 66,5 e 68,5 sacas por hectare. O número representa uma redução em relação à safra anterior, que registrou média próxima de 70 sacas por hectare. Mesmo assim, o estado permanece entre os mais produtivos do país, mantendo um histórico consistente de evolução ao longo das últimas décadas.

 

Entre os fatores que influenciaram o desempenho da safra está o atraso no início das chuvas, que postergou o plantio em até duas semanas em comparação à média histórica. A irregularidade das precipitações em algumas regiões também contribuiu para a diferença no desenvolvimento das lavouras, com áreas em estágios fenológicos distintos.

 

O atraso no plantio da soja impacta diretamente a janela ideal da segunda safra, especialmente para o milho e o sorgo, que podem enfrentar maior risco de restrição hídrica no fim do ciclo. Ainda assim, a produção total de soja em Goiás deve se manter próxima de 20,5 milhões de toneladas, garantindo ao estado posição de destaque no cenário nacional.

 

A evolução da produtividade no estado é expressiva. Na safra 1978/79, a média era de 29 sacas por hectare, patamar que avançou para cerca de 70 sacas nas últimas safras, impulsionado por investimentos contínuos em pesquisa, inovação e transferência de tecnologia no campo.

 

Outro ponto de atenção destacado pela expedição é o aumento do custo de produção aliado à queda nos preços das commodities. Para a safra 2025/26, o custo médio da soja em Goiás chega a 55 sacas por hectare, sem considerar despesas com arrendamento. Em áreas arrendadas, a margem do produtor pode ser praticamente comprometida, reduzindo significativamente a rentabilidade. A estimativa aponta margem líquida em torno de 17%, a menor dos últimos anos.

 

O cenário de juros elevados também preocupa o setor. Com a taxa básica em patamar alto e juros de mercado próximos de 20%, muitos produtores têm adotado postura mais cautelosa na segunda safra, reduzindo investimentos em tecnologia, o que pode afetar a produtividade no médio prazo, especialmente diante da ausência de um seguro rural mais eficiente.

 

Durante a expedição, as equipes técnicas identificaram lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento, reflexo direto do atraso e da irregularidade das chuvas. A primeira etapa do trabalho foi dedicada à soja, enquanto a segunda fase, prevista para julho, irá avaliar o desempenho do milho, que também pode sofrer impactos do calendário agrícola comprometido.

 

A Expedição Safra tem como objetivo fornecer informações técnicas qualificadas para auxiliar o produtor rural no planejamento e na tomada de decisões, especialmente em um cenário marcado por custos elevados, clima irregular e margens mais apertadas.

 

Com informações de Sistema Faeg

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