domingo, 01 de março de 2026

Fungo da Caatinga vira base para pomada cicatrizante desenvolvida pelo Instituto Butantan

POR Thais Cabral | 01/03/2026
Fungo da Caatinga vira base para pomada cicatrizante desenvolvida pelo Instituto Butantan

Foto: Reprodução IA

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Pesquisadoras do Instituto Butantan desenvolveram uma pomada cicatrizante formulada a partir de um composto bioativo extraído de um fungo da Caatinga. A proposta é acelerar a regeneração da pele lesionada, reduzindo a formação de cicatrizes aparentes e queloides.

 

O fungo foi identificado no bioma nordestino, reconhecido pela biodiversidade e pelo potencial farmacológico ainda pouco explorado. A pesquisa é conduzida pelo Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) do instituto, em parceria com a startup BiotechnoScience Farmacêutica.

 

De acordo com os resultados pré-clínicos, a aplicação tópica do produto estimula a produção uniforme de colágeno e potencializa o processo natural de cicatrização. Os testes indicam desempenho superior ao de pomadas cicatrizantes já disponíveis no mercado.

 

A investigação começou em 2010, quando o micro-organismo foi isolado a partir de amostras da vegetação da Caatinga. Inicialmente, os estudos buscavam identificar possíveis propriedades antibióticas e antitumorais da molécula produzida pelo fungo. Durante as análises, os pesquisadores passaram a investigar também a capacidade de regeneração celular do composto, fundamental para o fechamento de feridas.

 

Ensaios laboratoriais com células endoteliais e fibroblastos confirmaram o potencial regenerativo. Em 2018, o Instituto Butantan solicitou o registro de patente da formulação, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

 

Com a patente concedida, o projeto avançou para o modelo de inovação aberta. A startup parceira ficou responsável pelas etapas finais de desenvolvimento e pelos procedimentos regulatórios junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O acordo prevê pagamento de royalties ao instituto após a comercialização.

 

Além do possível impacto na área médica e dermatológica, a iniciativa reforça a relevância da biodiversidade brasileira como fonte de inovação científica e evidencia a importância do investimento público em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

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