quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Estudos revelam que a cobertura de mamografias no país está muito abaixo da meta da OMS, com disparidades raciais e atrasos no início do tratamento que elevam o número de mortes.
Foto: via Drauzio Varella
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama permanece como o tipo mais frequente entre as mulheres brasileiras, quando excluído o câncer de pele não melanoma.
A detecção em estágios iniciais é reconhecida como essencial para melhorar as chances de cura, porém o acesso aos exames de rastreamento ainda é limitado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que 70% das mulheres entre 50 e 69 anos realizem mamografia a cada dois anos; no Brasil, a taxa de cobertura atingiu apenas 23,7%, segundo o Panorama do Câncer de Mama 2025, elaborado pelo Instituto Natura em parceria com o Observatório de Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer.
Esses números dificultam que milhões de mulheres recebam tratamento nas fases iniciais da doença, período em que os sintomas costumam estar ausentes e as possibilidades de cura são maiores.
Os dados do mesmo panorama revelam que, entre 2023 e 2024, apenas 41,7% das mamografias de rastreamento realizadas pelo SUS foram feitas por mulheres negras; a participação de mulheres amarelas foi de 11,5%, de indígenas de 0,1% e de brancas de 46,8%.
Entre 2015 e 2024, quase meio milhão de novos casos de câncer de mama foram notificados no SUS. As faixas etárias que concentram a maior parte dos diagnósticos são as de 50 a 59 anos (26,5%) e de 60 a 69 anos (24,9%). Contudo, chama atenção a elevada proporção de casos entre mulheres mais jovens, de 30 a 49 anos, que corresponde a 31,4% do total.
Embora a legislação brasileira estabeleça que o tratamento deva ser iniciado em até 60 dias após o diagnóstico, o intervalo chegou a 214 dias em 2023, indicando um grande atraso no percurso de cuidado.
No mesmo ano, o país registrou 20.339 óbitos por câncer de mama, o maior número da série histórica.
Após a realização da mamografia, a jornada da paciente inclui a entrega do laudo, a realização de biópsia, a confirmação diagnóstica e o início do tratamento. A falha em qualquer uma dessas etapas elimina os benefícios da detecção precoce.
Diante desse cenário, especialistas apontam a necessidade de uma política nacional integrada que contemple todas as fases do cuidado, desde o rastreamento até o tratamento, garantindo que a detecção precoce se traduza em efetiva melhoria de resultados. Mulheres que ainda não realizaram o exame ou que têm dúvidas sobre o procedimento devem procurar um médico ou serviço de saúde qualificado para avaliação individualizada.
Fonte: Drauzio Varella.
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