terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta segunda-feira (9), em Brasília, um alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso inadequado dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. O grupo inclui substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Em nota oficial, a Anvisa destacou que, embora os riscos já constem nas bulas aprovadas no Brasil, houve aumento significativo no número de notificações de eventos adversos, tanto no cenário nacional quanto internacional. Diante disso, a agência reforçou a necessidade de seguir rigorosamente as orientações de segurança.
Segundo o comunicado, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações previstas em bula, sempre com prescrição e acompanhamento de profissional de saúde habilitado. O alerta ocorre, principalmente, devido ao risco de eventos adversos graves, como a pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais.
Apesar da preocupação, a Anvisa ressaltou que não houve alteração na relação entre risco e eficácia das substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos continuam superando os efeitos adversos quando o uso ocorre dentro das indicações e dos modos de uso aprovados.
O documento também cita que, no início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) emitiu alerta semelhante, apontando um risco pequeno, porém existente, de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam esses medicamentos.
Dados da Anvisa mostram que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos no Brasil, além de seis casos com suspeita de óbito. Em junho de 2025, a agência determinou que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos, que agora deve ser emitida em duas vias, com validade de até 90 dias, seguindo modelo semelhante ao adotado para antibióticos.
A medida, segundo a Anvisa, tem como objetivo proteger a saúde da população, diante do elevado número de efeitos adversos associados ao uso fora das indicações aprovadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica.
A agência também orienta que usuários procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos — sintomas sugestivos de pancreatite. Profissionais de saúde devem suspender o tratamento ao suspeitar da reação e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado.
Por fim, a Anvisa reforçou a importância da notificação de eventos adversos no sistema VigiMed, fundamental para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos, que estão no mercado nacional há pouco mais de cinco anos.
Ao longo dos últimos anos, a agência já havia emitido outros alertas relacionados às canetas emagrecedoras, incluindo riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e casos raros de perda de visão associados à semaglutida, em 2025.
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