quinta-feira, 15 de outubro de 2026
O governo da Venezuela informou, na tarde desta quinta-feira (8), que irá libertar presos políticos nas próximas horas. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e foi apresentado como um “gesto de paz” em meio ao processo de reaproximação diplomática entre Caracas e Washington.
A declaração ocorreu por volta das 14h28 (horário de Brasília), diretamente da capital venezuelana. Segundo Rodríguez, um número considerado expressivo de detidos será colocado em liberdade, incluindo cidadãos venezuelanos e estrangeiros. No entanto, o governo não detalhou quantas pessoas serão beneficiadas, tampouco divulgou nomes ou os crimes atribuídos aos presos.
Durante o pronunciamento, Jorge Rodríguez afirmou que a medida busca contribuir para a estabilidade do país. Segundo ele, a iniciativa faz parte de um esforço para garantir um ambiente pacífico e voltado à prosperidade da República.
A decisão ocorre em meio a negociações entre Venezuela e Estados Unidos, que envolvem temas sensíveis, como a atuação da estatal petrolífera venezuelana e o diálogo com autoridades norte-americanas. Para analistas internacionais, a libertação de presos políticos representa um sinal de flexibilização do regime chavista após anos de repressão a opositores.
Embora a Assembleia Nacional seja o Parlamento venezuelano, o órgão é amplamente controlado pelo chavismo e atua, na prática, alinhado ao Executivo. Jorge Rodríguez é um dos principais aliados do governo e irmão de Delcy Rodríguez, recentemente empossada como presidente do país, o que reforça o peso político do anúncio.
Especialistas avaliam que os beneficiados devem ser, em sua maioria, opositores, ativistas, jornalistas, influenciadores e críticos do governo presos ao longo dos últimos anos, especialmente durante períodos de protestos contra o regime chavista, que já ultrapassa duas décadas no poder.
Pelo tom adotado no discurso oficial, o governo venezuelano tenta demonstrar disposição para o diálogo internacional, sobretudo com os Estados Unidos, após um longo período marcado por isolamento político e sanções econômicas.
A medida também ocorre em um momento de intensas movimentações diplomáticas. Um dia antes do anúncio, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que Washington possui um plano estruturado para a Venezuela, que prevê inicialmente a estabilização do país antes de qualquer transição política mais ampla.
Apesar do gesto, o cenário interno segue dividido. Enquanto manifestações contra o regime continuam ocorrendo fora do país, há registros de atos internos em apoio ao governo chavista. Em Caracas, no entanto, as ruas permanecem esvaziadas, reflexo da crise prolongada que já levou mais de oito milhões de venezuelanos a deixarem o país nos últimos anos.
Até o momento, o governo venezuelano não informou quando todas as libertações serão concluídas. A expectativa é de que novos detalhes sejam divulgados nas próximas horas.
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