sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Transferência de Bolsonaro para a Papudinha reacende articulações no Congresso sobre dosimetria

POR Marcos Paulo dos Santos | 16/01/2026
Transferência de Bolsonaro para a Papudinha reacende articulações no Congresso sobre dosimetria
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Lideranças da oposição no Congresso Nacional e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliam que a transferência dele para a Papudinha, no Complexo da Papuda, no Distrito Federal, nesta quinta-feira (15/1), pode intensificar a pressão política pela retomada de propostas que reduzem as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado.

 

Parlamentares do PL também consideram que o novo cenário pode fortalecer discussões internas sobre a sucessão política do grupo, incluindo a possibilidade de consolidação da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

 

Bolsonaro foi transferido na tarde desta quinta-feira para o 19º Batalhão da Polícia Militar, local conhecido como Papudinha. Condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe, ele cumpria pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde novembro de 2025.

 

Nos últimos meses, deputados e senadores da oposição tentaram avançar com projetos que anistiariam os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, o que beneficiaria diretamente o ex-presidente. As propostas, no entanto, não prosperaram, e a cúpula do Congresso passou a apoiar um texto alternativo que prevê a redução das penas.

 

A proposta, conhecida como PL da Dosimetria, permitiria a diminuição do tempo de prisão em regime fechado e poderia viabilizar a progressão ao regime semiaberto em cerca de dois anos, segundo cálculos apresentados pelo relator na Câmara. O projeto foi aprovado por deputados e senadores, mas acabou vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última semana.

 

De acordo com integrantes da oposição, mesmo antes da decisão judicial que determinou a transferência de Bolsonaro, já havia movimentação para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar a análise do veto presidencial. Após a mudança no local de cumprimento da pena, a articulação ganhou mais intensidade.

 

O senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que um ofício foi encaminhado à presidência do Senado solicitando a apreciação do veto. Segundo ele, o grupo aliado ao ex-presidente pretende reforçar a mobilização nos próximos dias.

 

Na Câmara, o deputado Alberto Fraga (PL-DF) avaliou que a oposição já dispõe dos votos necessários para derrubar o veto. Para isso, são exigidos ao menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado. O texto havia sido aprovado anteriormente por ampla maioria nas duas Casas.

 

Parlamentares também defendem a ampliação de iniciativas em defesa da prisão domiciliar do ex-presidente, incluindo ações junto a organismos internacionais. Alguns senadores afirmam que denúncias já foram encaminhadas a instâncias como a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

 

Além disso, deputados relatam que a liderança da oposição na Câmara tem orientado a intensificação de mobilizações políticas e a coleta de assinaturas em apoio ao pedido de prisão domiciliar, sob o argumento de preocupação com a segurança do ex-presidente.

 

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