quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Celular mais caro? Governo eleva imposto de importação e amplia tarifas para mais de mil produtos

POR Marcos Paulo dos Santos | 26/02/2026
Celular mais caro? Governo eleva imposto de importação e amplia tarifas para mais de mil produtos

Foto: Agência Brasil

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O aumento de tarifas não partiu de Washington, mas do próprio governo federal. O Ministério da Fazenda decidiu elevar o imposto de importação sobre mais de mil produtos, com alíquotas que podem chegar a 25%. Entre os itens atingidos estão smartphones, freezers, painéis com tecnologia LCD e LED, além de máquinas e equipamentos utilizados pela indústria.

 

A justificativa oficial é a proteção da produção nacional. No entanto, a medida também tem objetivo fiscal: a expectativa da equipe econômica é arrecadar cerca de R$ 14 bilhões adicionais ainda neste ano.

 

A decisão ocorre em um momento de pressão sobre as contas públicas. Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, busca alternativas para ampliar a arrecadação e cumprir a meta de superávit primário.

 

Segundo a pasta, o volume de produtos importados estaria em patamar capaz de comprometer segmentos da cadeia produtiva brasileira e provocar retrocesso tecnológico. A elevação das tarifas, na avaliação do governo, daria maior competitividade à indústria nacional.

 

No caso dos celulares, porém, especialistas apontam limitações estruturais. O Brasil possui linhas de montagem, mas depende de componentes e tecnologia estrangeiros. Atualmente, não há uma cadeia produtiva completa que permita fabricar smartphones integralmente no país com competitividade global. Com o imposto maior, o preço final pode subir para o consumidor sem que isso, necessariamente, resulte na criação de um polo tecnológico robusto.

 

O impacto também alcança bens de capital. Máquinas e equipamentos usados na modernização de fábricas e na ampliação da capacidade produtiva estão entre os produtos afetados. Empresas que dependem de tecnologia importada podem enfrentar aumento de custos, o que, segundo importadores, pode reduzir competitividade e gerar pressão inflacionária.

 

Na prática, a medida reúne dois objetivos: política industrial e necessidade de reforço fiscal. A arrecadação estimada ajuda a aliviar o caixa no curto prazo, em um orçamento marcado por despesas obrigatórias elevadas e pouca margem para cortes estruturais. O efeito, contudo, tende a ser distribuído entre empresas e consumidores.

 

Embora tecnicamente incidam sobre importadores, tarifas costumam ser repassadas ao preço final. Em um cenário de renda pressionada, o aumento pode pesar no bolso do consumidor. Diferentemente de reformas estruturais, o protecionismo funciona como um mecanismo de defesa temporário e não garante, por si só, ganho de produtividade.

 

Com informações de Veja.

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