quinta-feira, 16 de abril de 2026
O criador da página “Choquei”, Raphael Sousa, foi preso na manhã desta quarta-feira (15) durante a Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal. Ele é apontado como operador de mídia de uma organização criminosa investigada por movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro.
De acordo com as investigações, o influenciador teria recebido altos valores para divulgar conteúdos favoráveis a artistas, promover plataformas de apostas e rifas, além de atuar na contenção de crises de imagem envolvendo os investigados.
A operação também teve como alvos os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, além do empresário e influenciador Chrys Dias. A ação busca desarticular uma associação criminosa envolvida na movimentação ilegal de recursos no Brasil e no exterior, inclusive com uso de criptoativos, e contou com apoio da Polícia Militar de São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, o grupo operava com uma estrutura sofisticada de lavagem de capitais, utilizando transações de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e ativos digitais. O montante movimentado ultrapassa R$ 1,6 bilhão em cerca de dois anos.
As investigações apontam que figuras públicas eram utilizadas para facilitar a circulação dos recursos ilícitos sem levantar suspeitas nos sistemas de controle financeiro. Os valores teriam origem em atividades ilegais como tráfico de drogas, apostas e rifas clandestinas, sendo posteriormente “lavados” por meio de pagamentos disfarçados de publicidade.
Ainda conforme a apuração, o esquema utilizava empresas de pagamento legalmente constituídas para movimentar o dinheiro, distribuindo os valores por meio de contas intermediárias e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”.
No núcleo artístico, Ryan SP foi identificado como um dos principais beneficiários da estrutura financeira, enquanto outros investigados aparecem ligados a empresas e movimentações relacionadas às rifas digitais e apostas.
Ao todo, mais de 200 policiais federais cumprem 84 mandados judiciais, sendo 45 de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela Justiça Federal. Até o momento, 33 prisões foram realizadas. As ações ocorrem em diversos estados, incluindo Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e o Distrito Federal.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e outras medidas para interromper as atividades ilícitas e garantir eventual ressarcimento. Durante as diligências, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos e um fuzil.
Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Em nota, a defesa de um dos artistas afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo do mandado de prisão e que irá se manifestar após análise do processo.
A Operação Narco Fluxo é continuidade de investigações iniciadas em ações anteriores, como a Narcobet e a Narcovela, que tiveram origem na apreensão de drogas em um veleiro, em 2023.
Com informações de Mais Goiás.
Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada, da cidade de Rio Verde e região.