sábado, 21 de março de 2026
Fotos: Fernando Leite
O Ministério Público de Goiás (MPGO) divulgou, nesta quarta-feira (18), novos detalhes da Operação Confrades, que investiga um suposto esquema de irregularidades em contratos da Agência Goiana de Habitação (Agehab). As informações foram apresentadas durante coletiva concedida por integrantes do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (GAEPP), na sede do órgão, em Goiânia.
Segundo o MPGO, as apurações indicam a existência de um esquema estruturado de manipulação de contratos, com possível prejuízo aos cofres públicos. A investigação aponta que planilhas orçamentárias teriam sido alteradas para beneficiar construtoras com ligação com integrantes da própria agência.
De acordo com os promotores, também há indícios de cooptação de setores técnicos da Agehab para atender interesses particulares. As investigações apontam ainda interferências em editais e normas técnicas, com mudanças que teriam favorecido empresas específicas, além da flexibilização indevida de regras já estabelecidas.
Outro ponto destacado pelo MPGO é que uma empresa que, em tese, estaria impedida de contratar com o poder público teria recebido privilégios e ampliado sua participação nos contratos firmados a partir de 2024.
As apurações também indicam possíveis represálias contra servidores da área técnica, incluindo relatos de demissões arbitrárias. Segundo a investigação, essas medidas podem ter contribuído para a consolidação das irregularidades dentro da estrutura da agência.
A investigação começou no primeiro semestre de 2025, após denúncias que apontavam favorecimento indevido em contratos ligados ao programa habitacional Pra Ter Onde Morar.
Durante a coletiva, o promotor Augusto César Borges Souza afirmou que o trabalho ainda está em andamento. “A investigação está em curso. O objetivo é apurarmos de que forma essas ingerências aconteciam e todos os responsáveis por isso”, declarou.
A operação foi deflagrada com o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em Goiânia e Anápolis, além de medidas realizadas na sede da Agehab. Por decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, dois integrantes do corpo gestor da agência foram afastados temporariamente por suspeita de envolvimento no esquema.
O promotor Tommaso Leonardi destacou que, neste primeiro momento, a atuação está concentrada na área de improbidade administrativa, mas não descartou desdobramentos na esfera criminal.
Conforme ressaltou o MPGO, as irregularidades investigadas não envolvem a gestão ou os objetivos do programa habitacional, mas sim a conduta de agentes públicos ligados ao processo de contratação das construtoras.
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