quinta-feira, 08 de outubro de 2026
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) decidiu que o ex-prefeito de Iporá, Naçoitan Araújo Leite, será levado a júri popular pela acusação de tentar matar a ex-mulher e o atual namorado dela. O crime ocorreu em novembro de 2023, quando o ex-gestor teria invadido a residência das vítimas e efetuado pelo menos 13 disparos de arma de fogo.
Naçoitan responde por tentativa de feminicídio por motivo torpe, tentativa de homicídio, dano qualificado, porte de arma de fogo de uso restrito, violência doméstica e fraude processual.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO), o episódio aconteceu na madrugada de 18 de novembro de 2023, no bairro Vila Brasília, em Iporá. O ex-prefeito teria utilizado uma caminhonete para derrubar o portão da residência onde a ex-companheira estava com o namorado. A invasão foi registrada por uma câmera de segurança de um imóvel vizinho.
Após entrar na casa, o acusado teria feito disparos contra uma porta de vidro enquanto as vítimas estavam no quarto. Conforme o processo, ele gritava o nome da ex-mulher e provocava o namorado dela.
Para escapar dos tiros, o casal se escondeu atrás de uma parede lateral. O namorado tentou impedir a entrada do suspeito segurando a porta com uma das pernas. Sem conseguir acessar o cômodo, Naçoitan teria disparado pelo menos 13 vezes em direção à passagem. Alguns projéteis atravessaram a estrutura e atingiram a cama.
De acordo com o depoimento de uma das vítimas, o ex-prefeito continuou acionando o gatilho mesmo depois de ficar sem munição. Ele deixou a residência em seguida, e o casal só saiu do quarto após acionar a polícia e verificar, pelas câmeras acessadas por celular, que o acusado havia ido embora.
Ministério Público aponta inconformismo com separação
As investigações apontam que Naçoitan e a ex-mulher mantiveram um relacionamento durante sete anos, encerrado em setembro de 2023, cerca de dois meses antes do ataque.
Para o Ministério Público, o crime teria sido motivado pelo sentimento de posse do ex-prefeito, que não aceitava o término do relacionamento nem o envolvimento da ex-companheira com outra pessoa.
O processo também aponta que o acusado teria retirado o equipamento responsável por armazenar as gravações das câmeras de segurança da residência, conhecido como DVR. A suposta retirada do aparelho resultou na acusação de fraude processual.
Cinco dias após o crime, Naçoitan se entregou à polícia, ocasião em que foi cumprido um mandado de prisão preventiva.
Ao g1, a defesa do ex-prefeito informou que tomou conhecimento da decisão pela imprensa, manifestou discordância e afirmou que apresentará recurso.
Além de solicitar que o acusado seja julgado pelo Tribunal do Júri, o Ministério Público pede a fixação de uma indenização mínima de R$ 150 mil para cada uma das vítimas.
Até a última atualização das informações, a data do julgamento ainda não havia sido definida. Conforme os registros do TJ-GO, Naçoitan responde ao processo em liberdade.
A decisão de levar o ex-prefeito a júri popular não representa uma condenação. A responsabilidade criminal será analisada pelos jurados durante o julgamento, caso a decisão seja mantida.
Fonte: g1 Goiás, com informações do TJ-GO e do Ministério Público de Goiás.
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