quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
O ano de 2025 foi confirmado como o terceiro mais quente já registrado no planeta, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo observatório europeu Copernicus e pelo instituto norte-americano Berkeley Earth. As instituições alertam que 2026 deve manter temperaturas em níveis historicamente elevados, reforçando a tendência de aquecimento acelerado observada nos últimos anos.
Segundo o relatório anual do Copernicus, a temperatura média global permanece há três anos consecutivos em patamares inéditos. Pela primeira vez, a média superou em mais de 1,5 °C os níveis do período pré-industrial, considerado um marco simbólico nas discussões internacionais sobre mudanças climáticas.
Para os cientistas do Berkeley Earth, o salto registrado entre 2023 e 2025 evidencia uma intensificação preocupante do aquecimento global. Desde o ano passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) e especialistas em clima já reconhecem que o planeta caminha para um aquecimento duradouro acima do limite de 1,5 °C estipulado pelo Acordo de Paris. Com três anos seguidos nesse patamar, o Copernicus avalia que a superação permanente desse limite pode ocorrer antes do fim da década, mais de dez anos antes do previsto inicialmente.
O cenário é agravado por um contexto político desfavorável à agenda ambiental. A aceleração do aquecimento coincide com o enfraquecimento da cooperação climática internacional, especialmente após os Estados Unidos, segundo maior emissor de gases de efeito estufa, retomarem políticas focadas na exploração de petróleo. Em países desenvolvidos, como Alemanha e França, a redução de emissões perdeu ritmo em 2025, enquanto o aumento do uso de usinas a carvão nos EUA voltou a elevar a pegada de carbono.
Para Mauro Facchini, chefe da unidade Copernicus, a necessidade de ações concretas nunca foi tão urgente diante do avanço das mudanças climáticas.
As projeções para 2026 indicam continuidade dessa trajetória. De acordo com Samantha Burgess, diretora-adjunta de mudança climática do Copernicus, o próximo ano deverá figurar entre os cinco mais quentes já registrados, com temperaturas semelhantes às de 2025. Já o Berkeley Earth estima que 2026 possa se tornar o quarto ano mais quente desde 1850, com possibilidade de recorde caso o fenômeno El Niño volte a ocorrer.
Em 2025, a temperatura média global ficou 1,47 °C acima do nível pré-industrial, ficando atrás apenas de 2024, que registrou 1,60 °C e segue como o ano mais quente da série histórica. Além da média global, foram observados recordes regionais, principalmente na Ásia Central, Antártida e região do Sahel.
O ano também foi marcado por eventos climáticos extremos, como ondas de calor, ciclones, tempestades intensas e grandes incêndios florestais em diferentes partes do mundo. Especialistas reforçam que a queima de combustíveis fósseis segue como principal causa do aumento das temperaturas, embora outros fatores também possam contribuir para intensificar o aquecimento global.
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