quinta-feira, 30 de julho de 2026
A Uefa anunciou nesta quinta-feira (30) que nenhuma de suas 55 seleções nacionais disputará competições organizadas pela Fifa caso avance a proposta de criar uma empresa privada para administrar os direitos comerciais e operacionais dos torneios da entidade. A medida representa um dos maiores confrontos institucionais entre as duas organizações nos últimos anos.
Em comunicado oficial, a entidade europeia afirmou que só voltará a participar das competições da Fifa caso o projeto seja totalmente abandonado e haja garantias de que a governança e os torneios da entidade jamais serão entregues à iniciativa privada.
A reação ocorre após o presidente da Fifa, Gianni Infantino, estabelecer um prazo de 53 dias para que as 211 associações nacionais aprovem a proposta. Segundo a Uefa, as federações foram colocadas diante de um ultimato, já que as entidades que rejeitarem o plano podem perder até 75% do financiamento previsto no novo modelo.
Se o cronograma for mantido, a decisão será tomada antes dos próximos compromissos das seleções europeias em torneios organizados pela Fifa. O primeiro impacto poderá ocorrer já no Mundial Feminino Sub-20, que começa em 5 de setembro, na Polônia. Em seguida, estão previstos os playoffs das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina, em outubro.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Conmebol ainda não se manifestaram sobre o assunto.
Na nota, a Uefa afirma que a Copa do Mundo é um patrimônio do futebol e critica duramente a condução do projeto pela Fifa. Segundo a entidade, uma proposta dessa magnitude foi elaborada sem consulta adequada às federações responsáveis pela administração do esporte.
Para a organização, permitir a entrada de investidores privados nas principais competições mudaria permanentemente a forma de gestão do futebol, fazendo com que decisões sobre calendário, formatos de torneios e desenvolvimento da modalidade passassem a priorizar interesses financeiros.
A Uefa também classificou a iniciativa como uma forma de "governança pela intimidação" e reforçou que não aceitará qualquer modelo que coloque os interesses comerciais acima dos de federações, clubes, atletas e torcedores.
Ao encerrar o comunicado, a entidade reiterou sua posição:
"A Copa do Mundo pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda."
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