quinta-feira, 08 de janeiro de 2026

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UM PRECEDENTE PERIGOSO PARA A AMÉRICA DO SUL

POR Cairo Santos | 05/01/2026
UM PRECEDENTE PERIGOSO PARA A AMÉRICA DO SUL
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A prisão de um presidente sul-americano por autoridades dos Estados Unidos não é apenas um ato isolado: é um gesto que carrega implicações profundas para a soberania da região e para o equilíbrio das relações internacionais no continente. Independentemente da avaliação que se faça sobre o governo venezuelano, o fato de Washington assumir para si o papel de juiz e executor em território político alheio abre um precedente que ameaça a autonomia dos países latino-americanos.

 

Historicamente, a América do Sul tem sido palco de intervenções externas — diretas ou indiretas — que moldaram seus rumos políticos e econômicos. Da Guerra Fria às pressões contemporâneas, a ingerência estrangeira sempre deixou marcas de instabilidade e desconfiança. A prisão de um chefe de Estado por uma potência externa, sem mediação de organismos multilaterais como a ONU ou a OEA, reforça a ideia de que a soberania nacional pode ser relativizada conforme os interesses estratégicos de Washington.

 

O risco maior não está apenas na Venezuela. Está na mensagem transmitida a toda a região: nenhum governo está imune a ações unilaterais de uma potência estrangeira. Isso fragiliza o princípio de autodeterminação dos povos, pilar fundamental do direito internacional, e abre espaço para que disputas políticas internas sejam resolvidas por meio de pressões externas, em vez de pelo diálogo democrático.

 

Mais do que nunca, torna-se urgente que os países sul-americanos discutam mecanismos de defesa institucional e diplomática capazes de proteger seus líderes e suas instituições de interferências externas. A integração regional, tantas vezes adiada, mostra-se não apenas desejável, mas necessária para garantir que decisões sobre o futuro da América do Sul sejam tomadas dentro da própria América do Sul. A repercussão no Brasil da prisão do Maduro pelos EUA, em redes sociais, solidificou ainda mais uma disputa absurda entre direita e esquerda, ou esquerda e direita, que não acrescenta nada no futuro do nosso País e somente acirra ânimos de quem gasta a sua inteligência com discussões sem nenhum objetivo concreto, quando poderia estar nas redes sociais discutindo o futuro do Brasil de fato sem ter como único objetivo descobrir quem é melhor a direita ou a esquerda, esquerda ou direita, pelo menos essa é a minha opinião.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

 

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