sexta-feira, 04 de abril de 2025
Foto: Agência Brasil
A recente decisão de autorizar farmacêuticos a prescrever medicamentos de forma direta é um marco significativo para a saúde pública e para o fortalecimento do sistema de atendimento ao paciente. Essa medida não apenas reconhece a formação e o conhecimento técnico dos farmacêuticos, mas também representa um passo importante em direção a um modelo de assistência mais acessível e eficiente. Historicamente, o papel do farmacêutico tem sido fundamental na orientação sobre o uso seguro e eficaz de medicamentos, mas agora, com a expansão de suas atribuições, esses profissionais poderão atuar de maneira ainda mais abrangente na gestão da saúde dos pacientes. Essa mudança é especialmente relevante em um contexto em que o acesso a médicos pode ser limitado, permitindo que os farmacêuticos se tornem uma primeira linha de cuidado em diversas situações.
A autorização para prescrição de medicamentos, particularmente os de uso contínuo e controlados, deve ser acompanhada de diretrizes claras e rigorosas, garantindo que essa nova responsabilidade seja exercida com segurança e ética. A formação acadêmica dos farmacêuticos deve ser complementada por treinamentos específicos, assegurando que eles estejam plenamente capacitados para fazer diagnósticos preliminares e determinar o tratamento adequado. Além disso, essa iniciativa pode contribuir para a redução do tempo de espera em consultas médicas e facilitar o acesso a terapias essenciais, especialmente em áreas remotas ou com escassez de profissionais de saúde.
Ao integrar farmacêuticos na rede de cuidado, estamos promovendo uma abordagem mais holística e centrada no paciente. No entanto, é crucial que essa mudança seja acompanhada de um debate público e de políticas que garantam a colaboração entre farmacêuticos e médicos, evitando a sobreposição de funções e promovendo um trabalho em equipe que beneficie a saúde da população. Acredito que a decisão de permitir que farmacêuticos prescrevam medicamentos é uma evolução necessária que pode transformar a dinâmica do cuidado à saúde. Com uma regulamentação adequada e um compromisso com a qualidade, esse novo papel pode não apenas aliviar a pressão sobre o sistema de saúde, mas também melhorar a vida de milhares de pacientes que dependem de um atendimento acessível e eficiente.
A Associação Médica Brasileira (AMB) se manifestou contra à resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF).
Em nota divulgada pela AMB, a associação classifica a situação como preocupante.
“A AMB entende que a prescrição de medicamentos é o ato final de um processo complexo de anamnese, exame físico e de exames subsidiários que permitem o correto diagnóstico das doenças, que só quando concluído e que se pode fazer a receita de um determinado fármaco. Cabe aos médicos esta tarefa”, defende, na nota.
Ainda segundo o posicionamento da AMB, “o farmacêutico não tem a formação necessária para prescrever medicamentos, que podem, uma vez prescritos, afetar a saúde do paciente, caso seja utilizado de maneira equivocada”.
A entidade afirma ainda que é importante a condução do caso com a máxima seriedade e responsabilidade.
“A AMB, como entidade médica, está alinhada com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e tomará todas as providências necessárias para sustar esta decisão tomada pelo CFF com o único propósito de garantir a segurança na prescrição de medicamentos à população”, finaliza.
A resolução foi aprovada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) no dia 20 de fevereiro deste ano.
Nesta quinta (20), o CFF também publicou nota informando que o direito à prescrição de medicamentos foi conquistado pela categoria há 12 anos. E que ela está respaldada por Lei Federal desde 2014, que determina que o farmacêutico tem a obrigação de estabelecer o perfil farmacoterapêutico dos pacientes, além do próprio acompanhamento farmacoterapêutico.
“O que o Conselho Federal de Farmácia fez foi aprimorar os instrumentos normativos para a fiscalização e garantir maior segurança para pacientes e profissionais”, declara.
Acredito que é hora de celebrarmos esse avanço e trabalharmos juntos para sua implementação bem-sucedida.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.