terça-feira, 02 de junho de 2026
A decisão do governo dos Estados Unidos de reconhecer o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras inaugura um novo capítulo na relação Brasil–EUA. Embora seja inegável a violência e a capacidade transnacional dessas facções, o enquadramento como terrorismo extrapola o campo da segurança pública e projeta consequências diretas sobre a soberania nacional, a economia e a cooperação internacional.
Ao centralizar informações em órgãos de inteligência norte-americanos e abrir caminho para sanções financeiras e até ações militares, Washington insere o Brasil em uma lógica de “narcoterrorismo” que pode servir mais aos interesses geopolíticos dos EUA do que às necessidades reais de combate ao crime organizado.
O Brasil corre o risco de ver sua autonomia reduzida, seus bancos e empresas sob vigilância externa e sua política de segurança subordinada a agendas estrangeiras. Mais do que combater facções criminosas, a medida revela como o conceito de terrorismo pode ser instrumentalizado para ampliar a influência norte-americana na América Latina.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.