quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026
Relator da reforma administrativa, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) fez duras críticas aos projetos aprovados nessa terça-feira (3) pelo Congresso que reestruturam carreiras e reajustam a remuneração de servidores da Câmara e do Senado. Segundo ele, as propostas criam "penduricalhos" que abrem caminho para pagamentos acima do teto constitucional do funcionalismo, na contramão do discurso de responsabilidade fiscal e de combate a privilégios no serviço público.
As críticas ganham peso político porque Pedro Paulo coordena o grupo de trabalho da reforma administrativa na Câmara, apresentada como uma tentativa de reorganizar o serviço público, conter distorções salariais e enfrentar o problema dos supersalários.
O Congresso Nacional tem repetido, em discursos e entrevistas, a necessidade urgente de uma reforma administrativa. Fala-se em enxugar a máquina pública, cortar gastos e modernizar o Estado. Mas, quando se observa a prática, o discurso se desfaz diante da realidade: na mesma semana em que cobra austeridade, o Parlamento aprova projetos que criam novos “penduricalhos” salariais, permitindo que servidores de determinados órgãos recebam acima do teto constitucional.
Parlamentares defendem que o país não pode mais sustentar uma estrutura inchada e ineficiente. A reforma administrativa é apresentada como solução para equilibrar contas e melhorar serviços públicos. O argumento é sedutor: quem não gostaria de ver um Estado mais eficiente e menos oneroso?
No entanto, ao aprovar mecanismos que driblam o teto salarial, o Congresso revela sua prioridade real: proteger privilégios. Em vez de cortar excessos, cria brechas legais para mantê-los. O resultado é um Estado que continua caro desigual e distante da realidade da maioria da população, que enfrenta salários baixos e serviços precários.
A contradição é evidente. Cobra-se sacrifício da sociedade, mas preserva-se o conforto de uma elite burocrática. O teto constitucional, que deveria ser um limite claro, vira letra morta diante da criatividade legislativa para inventar gratificações, bônus e adicionais. É a institucionalização da hipocrisia: fala-se em reforma, mas pratica-se a manutenção dos privilégios.
Para o trabalhador comum, que vê seu salário corroído pela inflação e enfrenta filas em hospitais e escolas, a mensagem é clara: a reforma administrativa não é para todos. É um discurso voltado para o público, mas desenhado para não atingir os que estão no topo da pirâmide. O custo recai sobre a sociedade, enquanto os benefícios se concentram em poucos.
Agora a pior ironia é que esses mesmos parlamentares não perdem nenhuma oportunidade de criticar o Executivo pela falta de controle dos gastos do governo. Amigos vem eleição aí, vamos observar bem quem merece o seu voto, ou seja, aquele que pratica o que prega na campanha.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.