quarta-feira, 17 de junho de 2026
O debate travado na Câmara Municipal de Rio Verde sobre o reconhecimento de um terreiro de umbanda como entidade de utilidade pública foi revelador. Não apenas pelo resultado — a aprovação do projeto — mas pelo tom das discussões. Ficou claro que ainda há quem confunda o papel do Estado com o púlpito da igreja, insistindo em usar argumentos religiosos para barrar direitos civis.
É preciso dizer sem rodeios: negar a utilidade pública de um terreiro não é uma questão administrativa, é preconceito. Os terreiros cumprem funções sociais que muitos desconhecem: oferecem acolhimento, distribuem alimentos, promovem saúde espiritual e comunitária. Ignorar isso é perpetuar a invisibilidade histórica das religiões de matriz africana.
A laicidade não é um detalhe constitucional, é o alicerce da democracia. Quando vereadores tentam impor sua fé pessoal como critério de decisão política, estão corroendo esse alicerce. O reconhecimento do terreiro, portanto, não é apenas uma vitória da umbanda — é um lembrete de que o espaço público deve ser plural, e que a política não pode ser refém da intolerância.
Rio Verde deu um passo importante. Mas o episódio mostra que ainda há um longo caminho para que a diversidade religiosa seja respeitada sem ressalvas. O futuro da convivência democrática depende de aprendermos que o Estado não tem religião, mas tem obrigação de proteger todas elas.
Mais do que uma votação, o debate foi um espelho da sociedade rio-verdense: diversa, mas ainda em processo de aprender a respeitar suas diferenças. O reconhecimento do terreiro é, portanto, uma vitória não apenas para a umbanda, mas para todos que acreditam em um espaço público inclusivo. Bom, está é a minha opinião.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.