terça-feira, 24 de março de 2026
Foto: PR
A decisão do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), de desistir da corrida presidencial neste ano expõe mais uma vez a fragilidade dos projetos nacionais diante das pressões regionais. Ratinho, que aparecia como um nome competitivo dentro do PSD preferiu preservar sua influência local e evitar riscos na sucessão paranaense. O cálculo é pragmático, mas deixa o partido órfão de um candidato com densidade eleitoral.
No curto prazo, o maior beneficiado parece ser Ronaldo Caiado, governador de Goiás. Com forte base no agronegócio(?) e trânsito entre diferentes setores, Caiado surge como alternativa natural para ocupar o espaço deixado por Ratinho. Seu perfil de liderança regional e capacidade de articulação o colocam em posição privilegiada dentro do PSD.
Mas o jogo pode mudar rapidamente. Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, sinalizou interesse em se filiar ao PSD. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e tem histórico de decidir eleições nacionais. Se Zema confirmar sua entrada, o partido ganha um nome com apelo nacional e pode reposicionar sua estratégia, deixando Caiado em situação delicada. O “chapéu” mineiro não seria improvável: Zema tem discurso liberal, imagem de gestor e poderia atrair apoios que hoje orbitam em torno de Caiado.
A desistência de Ratinho, portanto, não apenas altera o tabuleiro interno do PSD, mas também revela como os partidos médios dependem de lideranças regionais e ficam vulneráveis a rearranjos de última hora. Caiado pode ser o herdeiro imediato do espaço, mas sua consolidação depende de conter o avanço de Zema e de mostrar que tem fôlego para transformar influência regional em projeto nacional.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.