segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026

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PASSEATAS PELO CÃO ORELHA: EMOÇÃO, MOBILIZAÇÃO E O DESAFIO DO RESULTADO PRÁTICO

POR Cairo Santos | 02/02/2026
PASSEATAS PELO CÃO ORELHA: EMOÇÃO, MOBILIZAÇÃO E O DESAFIO DO RESULTADO PRÁTICO
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No último domingo, milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades para protestar contra a agressão sofrida pelo cão Orelha. O episódio, que ganhou repercussão nacional, mobilizou corações e despertou indignação coletiva. Mas, passada a força das imagens e o calor das manifestações, surge a questão central: qual o resultado prático desses protestos e onde eles podem levar?

 

As passeatas mostraram que a sociedade brasileira reage com intensidade diante de casos de violência contra animais. A mobilização espontânea revela um sentimento de empatia que ultrapassa fronteiras políticas e sociais. Esse é um ativo poderoso: a capacidade de transformar indignação em ação coletiva.

 

 O desafio é converter essa energia em medidas concretas. Protestos, por si só, não mudam leis nem garantem fiscalização. Para que tenham efeito duradouro, precisam pressionar legisladores a endurecer penas contra maus-tratos, exigir políticas de proteção animal e cobrar do poder público a aplicação efetiva das normas já existentes. Sem esse desdobramento, o risco é que a mobilização se esgote em um ato simbólico.

 

 Movimentos que nascem de comoção correm o risco de perder força rapidamente. Se não houver organização, liderança e objetivos claros, a indignação se dilui e a causa perde espaço na agenda pública. O caso Orelha pode se tornar apenas mais um episódio lembrado com tristeza, mas sem legado prático.

 

Se bem canalizadas, as passeatas podem abrir caminho para uma pauta mais ampla: a criação de delegacias especializadas em crimes contra animais, campanhas educativas, maior rigor na fiscalização de criadouros e até a inclusão da proteção animal como prioridade em políticas urbanas. O destino desse movimento dependerá da capacidade de seus participantes de transformar emoção em estratégia.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

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