quarta-feira, 08 de abril de 2026

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O MUNDO SUSPENSO POR DEZ HORAS

POR Cairo Santos | 08/04/2026
O MUNDO SUSPENSO POR DEZ HORAS

Foto: Casa Branca

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A recente ameaça de Donald Trump de “dizimar o Irã” expôs, mais uma vez, a fragilidade da ordem internacional diante da retórica incendiária de líderes que tratam a diplomacia como espetáculo. Por dez horas, o planeta viveu em estado de tensão, aguardando se palavras se transformariam em mísseis.

 

O episódio revela três pontos centrais. Primeiro, a banalização da linguagem bélica: quando um chefe de Estado fala em aniquilar outro país, não se trata apenas de uma frase de efeito, mas de um sinal que reverbera em mercados, chancelerias e populações. Segundo, a vulnerabilidade da comunidade internacional, que parece incapaz de conter impulsos individuais que podem escalar para conflitos de proporções devastadoras. Terceiro, a erosão da confiança: cada ameaça mina a credibilidade de instituições multilaterais e reforça a percepção de que a paz global depende do humor de poucos homens poderosos.

 

Se a tensão durou “apenas” dez horas, o impacto psicológico e político é muito mais duradouro. A ameaça não se concretizou, mas deixou claro que o mundo vive sob a sombra de declarações que podem, em minutos, alterar o curso da história. O risco não está apenas no ataque que não ocorreu, mas na normalização da ideia de que ameaçar a destruição de um país é parte aceitável do jogo político.

 

Mais do que nunca, é urgente discutir mecanismos de contenção e responsabilização. A paz não pode ser refém de bravatas. O episódio mostra que, enquanto líderes continuarem a usar a retórica da guerra como instrumento de poder, o planeta seguirá suspenso, vulnerável, à espera da próxima ameaça.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

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