sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Apesar das quatro indicações históricas ao Oscar 2026, o filme brasileiro “O Agente Secreto” enfrenta um caminho árduo rumo ao Oscar: o prestígio internacional e o impacto cultural são inegáveis, mas a disputa em categorias como Melhor Filme e Melhor Ator coloca o longa frente a gigantes da indústria norte-americana.
As indicações:
Se compararmos com outros marcos podemos deduzir o seguinte: “Cidade de Deus” foi celebrado mundialmente, mas saiu de mãos vazias. “Ainda Estou Aqui” quebrou o tabu e trouxe a estatueta para o Brasil. “O Agente Secreto” repete o feito de quatro indicações, mas enfrenta o mesmo dilema: reconhecimento crítico não garante vitória.
É inegável que “O Agente Secreto” tem pontos fortes como uma trajetória premiada com mais de 50 prêmios internacionais, incluindo Cannes, Globo de Ouro e Critics e Choice. A direção de Kleber Mendonça Filho, cineasta já consolidado, com forte identidade autoral e a atuação de Wagner Moura, uma performance elogiada, capaz de abrir espaço para o Brasil em categorias de atuação.
Agora existem obstáculos reais como uma concorrência pesada. Hollywood apresenta produções com maior apelo comercial e campanhas milionárias de marketing; raramente os filmes não falados em inglês vencem a barreira cultural ainda pesa; Wagner Moura concorre contra nomes já consagrados e com forte lobby da indústria; a Academia tende a diversificar premiados, o que pode reduzir as chances de uma segunda vitória consecutiva para o Brasil.
“O Agente Secreto” já fez história ao colocar o Brasil novamente no centro da maior premiação do cinema mundial. As chances mais concretas estão em Melhor Filme Internacional e, com menor probabilidade, em Melhor Ator. A vitória em Melhor Filme seria um feito quase utópico diante da tradição da Academia. Assim, o filme deve ser visto como um marco de representatividade e reconhecimento artístico, mais do que como favorito absoluto à estatueta.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.