sexta-feira, 17 de abril de 2026
Rio Verde vive hoje uma invasão silenciosa: os escorpiões. Não é exagero chamar de invasão, já que relatos se multiplicam em diferentes bairros e a sensação de insegurança cresce entre os moradores. O problema não é novo, mas se agrava a cada ano, fruto de uma combinação perigosa: expansão urbana desordenada, lixo acumulado e falta de políticas públicas eficazes de controle.
É preciso dizer com clareza: escorpiões não aparecem por acaso. Eles se proliferam onde encontram alimento e abrigo — e o ambiente urbano, mal cuidado, oferece exatamente isso. O acúmulo de entulho, terrenos baldios abandonados e a presença constante de baratas criam o cenário perfeito para que o animal se instale e se multiplique. A responsabilidade, portanto, não é apenas individual, mas coletiva e institucional.
Claro que cada morador deve fazer sua parte: manter quintais limpos, vedar frestas, sacudir roupas e calçados antes de usar. Mas não podemos fingir que a solução está apenas na disciplina doméstica. Sem fiscalização rigorosa, sem campanhas de conscientização contínuas e sem ações coordenadas de limpeza urbana, o problema continuará a se repetir — e quem paga o preço são as famílias, especialmente as mais vulneráveis.
O escorpião é pequeno, mas o risco que representa é enorme. Uma picada pode ser fatal em crianças e idosos. O soro antiescorpiônico existe, mas não é aceitável que a população dependa apenas da sorte de chegar rápido ao hospital. Prevenção é dever do poder público, e cobrança é direito da sociedade.
Rio Verde precisa encarar o problema de frente. Escorpiões não respeitam muros, não escolhem classe social, não se intimidam com improvisos. Eles prosperam no descaso. E enquanto não houver ação firme, o perigo continuará rondando nossas casas, silencioso, mas cada vez mais presente.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.