quarta-feira, 13 de maio de 2026
O que está acontecendo em Goiás não pode ser tratado como mera estatística. Em apenas quatro meses de 2026, o estado já soma 30 feminicídios — metade de todo o ano anterior. Esse dado não é apenas alarmante, é um grito de socorro. Cada número representa uma mulher assassinada, uma família destruída, uma sociedade que falhou em proteger suas cidadãs.
O feminicídio é a face mais brutal de uma cultura que ainda naturaliza o controle sobre a vida das mulheres. Não se trata de casos isolados, mas de um padrão que se repete: homens que não aceitam o fim de relacionamentos, que confundem amor com posse e que transformam rejeição em violência. A cada nova vítima, fica evidente que as medidas protetivas, quando existem, não têm sido suficientes.
É preciso dizer com todas as letras: estamos diante de uma epidemia de ódio contra mulheres. E não basta lamentar. É urgente que autoridades tratem o feminicídio como prioridade absoluta, com políticas públicas robustas, investimento em acolhimento e punição efetiva. Mas também é papel da sociedade romper o silêncio, questionar comportamentos, educar para a igualdade.
Se nada mudar, Goiás terminará 2026 com um recorde macabro. E esse recorde não será apenas do estado, mas de todos nós que, diante da tragédia, escolhemos a indiferença. O silêncio, neste caso, é cúmplice.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.