terça-feira, 17 de março de 2026

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ENTRE O SÍMBOLO E A PRÁTICA: O DESAFIO DA COMISSÃO DA MULHER SOB ERIKA HILTON

POR Cairo Santos | 17/03/2026
ENTRE O SÍMBOLO E A PRÁTICA: O DESAFIO DA COMISSÃO DA MULHER SOB ERIKA HILTON
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A escolha da deputada federal Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados é, sem dúvida, carregada de simbolismo. Primeira mulher trans a ocupar uma cadeira no Congresso, sua ascensão a esse posto representa um marco histórico e um gesto político que dialoga com a diversidade e a pluralidade da sociedade brasileira. No entanto, é preciso ir além da celebração do ineditismo e avaliar criticamente o que essa escolha significa em termos de efetividade política e de representação. 

 

 A Comissão da Mulher tem como missão central discutir e propor políticas públicas voltadas à garantia de direitos, à proteção contra a violência e à promoção da igualdade de gênero. Nesse sentido, a presidência exige não apenas visibilidade, mas também capacidade de articulação, diálogo com diferentes bancadas e habilidade para enfrentar resistências que, sabemos, são fortes dentro da própria Câmara. O risco é que a escolha se torne mais um gesto simbólico do que uma aposta concreta em avanços legislativos. 

 

 Há quem veja na indicação de Hilton uma tentativa de setores progressistas de marcar posição diante de um Congresso majoritariamente conservador. Outros, porém, questionam se sua trajetória política, ainda recente, lhe dará fôlego para enfrentar pautas espinhosas como a revisão da legislação sobre violência doméstica, a ampliação de políticas de saúde voltadas às mulheres e o combate às desigualdades no mercado de trabalho.  

 

 O desafio, portanto, está em transformar o peso simbólico em resultados práticos. Erika Hilton terá de provar que sua presidência não se resume a um gesto de representatividade, mas que pode, de fato, abrir caminhos para políticas públicas consistentes e duradouras. A Comissão da Mulher não pode ser apenas palco de discursos; precisa ser instrumento de mudança. O tempo dirá se a escolha foi estratégica ou meramente performática. 

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

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