segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
O Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) anunciou, nesta segunda-feira (9), uma mudança histórica no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Goiás tornou-se o primeiro estado do Brasil a implantar a prova teórica online, permitindo que o candidato realize o exame de legislação de trânsito sem precisar sair de casa.
A modalidade online chega como uma ferramenta complementar ao exame presencial. A medida, segundo o órgão, visa reduzir filas, dar celeridade ao processo de habilitação e facilitar a vida de moradores de cidades do interior que, muitas vezes, precisavam se deslocar para realizar o exame.
A medida, apresentada como modernização e comodidade, levanta uma questão crucial: quais as consequências para o aprendizado real dos futuros motoristas?
O argumento oficial é sedutor: menos deslocamentos, mais agilidade e economia de tempo. Em um mundo cada vez mais digital, oferecer a prova teórica online parece natural. Mas a praticidade não pode ser confundida com qualidade. A prova teórica não é apenas um requisito burocrático. É o momento em que o candidato demonstra compreensão das regras de trânsito, da sinalização e da responsabilidade de conduzir um veículo. Ao migrar para o ambiente online, há risco de que o processo se torne mais vulnerável a consultas indevidas, perda de concentração e até mesmo à banalização do conteúdo.
Se a prova se transforma em mera formalidade, o aprendizado real fica comprometido. O trânsito brasileiro já convive com altos índices de acidentes e imprudência. Reduzir a seriedade da etapa teórica pode significar colocar nas ruas motoristas menos preparados, aumentando riscos para todos.
Outro ponto crítico é a fiscalização. Como garantir que o candidato está realmente realizando a prova sem auxílio externo? A tecnologia pode oferecer mecanismos de controle, mas a experiência mostra que brechas sempre existem. A credibilidade do processo depende de rigor e transparência.
Modernizar é necessário, mas não basta digitalizar. A decisão do Detran só terá sentido se vier acompanhada de políticas de educação no trânsito, campanhas de conscientização e mecanismos sólidos de avaliação. Caso contrário, corre-se o risco de trocar a formação cidadã por um clique apressado.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.