quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
A decisão do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de deixar o União Brasil e se filiar ao PSD não é apenas uma troca de legenda. É um movimento calculado para ampliar sua visibilidade nacional e pavimentar uma possível candidatura à Presidência da República. Mas, como toda jogada política, abre frentes de disputa e levanta dúvidas sobre os reais efeitos dessa mudança.
Ao migrar para o PSD, Caiado busca um partido com maior capilaridade nacional e presença em estados estratégicos. O União Brasil, apesar de robusto em número de parlamentares, ainda sofre com falta de identidade clara e coesão interna. O PSD, por sua vez, oferece uma vitrine mais organizada para quem deseja se projetar além das fronteiras estaduais.
O desafio imediato de Caiado será conviver com outros nomes que também alimentam ambições presidenciais dentro do PSD. Ratinho Junior, governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, são figuras jovens, com forte apelo regional e nacional. A disputa interna pode fragmentar o partido, transformando-o em palco de rivalidades em vez de plataforma unificada. Caiado terá de provar que sua experiência e trajetória política o diferenciam em um ambiente onde a juventude e a renovação são ativos valorizados.
Nesse tabuleiro, o senador Vanderlan Cardoso, presidente estadual do PSD em Goiás, ganha protagonismo. Vanderlan pode optar por se alinhar ao projeto nacional do governador, fortalecendo o PSD goiano, ou preservar sua própria autonomia, equilibrando interesses regionais e nacionais. O caminho que escolher indicará se o partido em Goiás será base sólida para Caiado ou terreno de disputas internas. Até porque caso Caiado não viabilize a candidatura à presidência da República, vai reivindicar a candidatura ao senado e outra, Caiado provavelmente vai assumir o comando do partido em Goiás, já que não nasceu para ser apenas um soldado. A troca de partido é um gesto forte, mas ainda precisa se traduzir em resultados práticos. Sem articulação nacional consistente e sem apoio interno robusto, Caiado corre o risco de transformar sua mudança em mais um episódio da política performática brasileira: barulho inicial, mas pouca efetividade. O eleitorado, cada vez mais atento, espera menos simbolismo e mais clareza sobre projetos e propostas.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.