quarta-feira, 25 de março de 2026

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AUMENTO DE CASOS DE ESTUPRO NO BRASIL: POR QUÊ?

POR Cairo Santos | 25/03/2026
AUMENTO DE CASOS DE ESTUPRO NO BRASIL: POR QUÊ?
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O Brasil assiste, estarrecido, a uma escalada brutal nos casos de estupro — sobretudo contra crianças e adolescentes — que expõe não apenas a violência dos agressores, mas também a fragilidade das nossas instituições em proteger os mais vulneráveis. Os números crescem ano após ano, revelando que não se trata de episódios isolados, mas de um fenômeno estrutural alimentado pela impunidade, pela ausência de educação sexual e pela cultura de violência que insiste em se perpetuar.

 

Entre 2020 e 2025, os processos por estupro de vulnerável cometidos por menores de 18 anos passaram de 784 para 1.704, segundo o CNJ.

 

Em 2023, 71% dos estupros registrados foram contra pessoas em situação de vulnerabilidade (crianças, adolescentes, pessoas com deficiência).

 

Apenas cerca de 7,5% dos casos são reportados, o que significa que os números oficiais representam apenas uma fração da realidade. Os números são assustadores. Segundo especialistas, as principais causas são: normalização da violência sexual e a baixa responsabilização dos agressores reforçam o ciclo, conteúdos violentos e misóginos circulando em redes sociais e grupos privados têm impacto direto no comportamento de adolescentes, meninas adolescentes, muitas vezes em contextos de pobreza ou histórico de traumas, e ausência de programas consistentes nas escolas.

 

A pergunta é: o que fazer?

 

Incluir temas como consentimento, respeito e igualdade de gênero desde cedo.

 

Ampliar o número de conselhos tutelares, centros de atendimento a vítimas e capacitação de profissionais da saúde e segurança.

 

 Acelerar processos judiciais e garantir penas proporcionais, especialmente em casos de estupro coletivo e contra vulneráveis.

 

Criar campanhas que combata a cultura de culpabilização da vítima e promover debates públicos sobre masculinidade tóxica.

 

E monitorar e responsabilizar plataformas que permitem a circulação de conteúdos que incentivam violência sexual.

 

Se o Brasil quiser reverter essa tragédia silenciosa, precisará abandonar a indiferença e enfrentar de frente a cultura de violência que corrói nossas relações sociais. Não basta contabilizar estatísticas: é urgente investir em educação sexual, responsabilizar agressores sem demora e proteger as vítimas com dignidade. Cada caso de estupro é uma vida marcada para sempre — e só quando tratarmos essa realidade como prioridade nacional poderemos vislumbrar um futuro em que o respeito e a liberdade sejam mais fortes do que o medo.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

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