segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

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ANA PAULA REZENDE NO PL: SOMENTE O SOBRENOME AGREGA?

POR Cairo Santos | 23/02/2026
ANA PAULA REZENDE NO PL: SOMENTE O SOBRENOME AGREGA?

Foto: O Popular

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A recente filiação de Ana Paula Rezende ao Partido Liberal (PL) e sua pré-candidatura a vice-governadora na chapa de Wilder Morais marca uma ruptura significativa com o legado político de seu pai, Iris Rezende, histórico líder do MDB em Goiás. A decisão de abandonar o MDB foi justificada por Ana Paula como uma reação ao isolamento que sofreu dentro da sigla, alegando ter sido ignorada em reuniões e agendas mesmo após colocar seu nome à disposição para disputar o Senado.

 

No entanto, sua escolha de se alinhar ao PL — partido que se consolidou como um dos principais polos da extrema direita no Brasil, fortemente associado ao bolsonarismo — levanta questionamentos sobre coerência política e sobre o uso do legado paterno como justificativa. Iris Rezende construiu sua trajetória no MDB com base em diálogo, moderação e capacidade de articulação ampla, características que contrastam com a retórica polarizadora e confrontativa que marca o PL atualmente.

 

A aproximação de Ana Paula ao PL pode ser vista como uma tentativa de viabilizar um projeto pessoal diante da falta de espaço no MDB, mas também como um movimento arriscado: ao reivindicar o legado do pai, ela se associa a um campo político que representa valores distintos daqueles que Iris defendeu ao longo de décadas. Essa contradição pode fragilizar sua narrativa e abrir espaço para críticas de oportunismo político, especialmente porque sua entrada no PL foi celebrada em eventos com figuras centrais do bolsonarismo, como Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro.

 

Em síntese, a escolha de Ana Paula Rezende revela tanto a crise interna do MDB goiano, incapaz de absorver novas lideranças, quanto a estratégia do PL de atrair nomes com peso simbólico para ampliar sua base. Contudo, a tentativa de conciliar o legado moderado de Iris Rezende com a radicalização política do PL pode se tornar um dilema central em sua trajetória: será vista como herdeira legítima ou como alguém que instrumentaliza a memória do pai para se projetar em um campo político antagônico? Quem viver verá.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

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