terça-feira, 21 de julho de 2026
Durante o período eleitoral, a responsabilidade de garantir a integridade física dos candidatos à Presidência da República recai sobre a Polícia Federal. O plano de segurança para a campanha de 2026 prevê um custo estimado de R$ 95 milhões e a mobilização de até 458 servidores. É um aparato robusto, digno de uma operação nacional, mas que levanta uma questão inevitável: até que ponto essa despesa deveria ser arcada pelo Estado e não pelos próprios candidatos?
A justificativa oficial é clara: proteger candidatos não é apenas uma questão individual, mas de interesse público. Um atentado contra qualquer presidenciável não ameaça apenas uma pessoa, mas a estabilidade democrática e a legitimidade do processo eleitoral. Nesse sentido, a segurança estatal é vista como uma garantia institucional, não como um privilégio pessoal.
Por outro lado, há quem questione se o modelo atual não transfere excessivamente para o contribuinte um custo que poderia ser absorvido pelos partidos e candidatos. Afinal, o fundo eleitoral, que em 2026 ultrapassa os bilhões de reais, foi criado justamente para financiar campanhas. Não seria razoável que parte desses recursos fosse destinada à segurança dos próprios beneficiários? Se o fundo cobre propaganda, viagens e eventos, por que não também a proteção dos candidatos?
O debate expõe uma tensão entre duas visões: a da segurança como dever do Estado e a da responsabilidade individual dos candidatos em gerir os recursos públicos que recebem. O risco é transformar a proteção em mais um item da lista de gastos que recaem sobre o bolso do eleitor, sem que haja contrapartida clara de eficiência ou transparência.
Em última análise, a questão não é apenas financeira, mas simbólica. Quando o Estado assume integralmente a segurança dos candidatos, reforça a ideia de que a democracia é um bem coletivo a ser preservado. Mas quando o custo se torna excessivo, abre espaço para críticas legítimas sobre privilégios e sobre o uso racional dos recursos públicos. O equilíbrio entre esses dois pontos é o desafio que se impõe.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.