quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
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Durante meses, o governo Lula tentou construir a imagem de moderação, diálogo e respeito aos valores da família e da comunidade evangélica. Reuniões com lideranças religiosas, discursos cuidadosamente calibrados e acenos públicos buscavam demonstrar aproximação. Mas bastou um desfile para a máscara cair — e o resultado foi um desastre político.
A homenagem da Acadêmicos de Niterói não foi apenas um evento carnavalesco. Foi um símbolo. E, na política, símbolos têm peso. A ala que colocou a “família tradicional” dentro de uma lata de conservas foi vista por milhões de brasileiros como um deboche de valores que sustentam lares e igrejas pelo país.
Nos bastidores do Planalto, pesquisas e monitoramentos internos apontaram impacto negativo relevante, especialmente entre evangélicos. A avaliação reservada foi clara: o desfile foi catastrófico para a estratégia de aproximação que vinha sendo construída. Todo um esforço de meses sofreu um baque em poucas horas.
A tentativa do PT de se desvincular do episódio, alegando autonomia artística da escola, soa insuficiente. Lula era o homenageado. Era o centro do enredo. Não se trata de um detalhe lateral, mas de uma celebração direta ao presidente da República.
Se houve interferência, o erro é grave. Se não houve, a falta de controle político é igualmente preocupante. Em ambos os cenários, o que ficou evidente foi que a suposta aproximação com os evangélicos não passava de estratégia calculada. O desfile escancarou que o discurso de respeito era mais conveniência política do que convicção real — e a tentativa de se apresentar como aliado desse segmento perdeu credibilidade.
O episódio expôs uma contradição central do governo: enquanto o discurso oficial fala em respeito à fé e à família, o ambiente político e cultural que orbita o presidente transmite sinais opostos. A conta política não demorou a aparecer.
Não foi a oposição que fabricou o desgaste. Foi a própria condução política do governo. O desfile não foi apenas um ruído — foi um desastre que revelou incoerência, fragilidade estratégica e desconexão com a sensibilidade de milhões de brasileiros.
A máscara caiu. E o que ficou evidente foi um governo que fala em diálogo, mas tropeça nos próprios símbolos.