quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Depois que Lula foi homenageado pela Acadêmicos de Niterói, no carnaval do Rio de Janeiro, a direita surtou e teve um mini AVC coletivo nas redes sociais.
Partido Novo, Nikolas Ferreira, Damares Alves e Kim Kataguiri correram pra Justiça alegando propaganda eleitoral antecipada.
O Brasil tem uma tradição peculiar: aquilo que vale para um lado, não necessariamente vale para o outro. O episódio recente envolvendo críticas da oposição ao presidente Lula, após o carnaval ter homenageado sua trajetória, é um exemplo cristalino dessa incoerência. Argumentou-se que o desfile seria uma forma de campanha antecipada. Mas, curiosamente, quando Jair Bolsonaro subiu ao palco em Barretos, em pleno rodeio, a apenas 35 dias da eleição, não se levantou a mesma acusação.
Essa contradição revela mais sobre a lógica política brasileira do que sobre o carnaval ou o rodeio. O carnaval é uma manifestação cultural, popular e espontânea, que reflete a diversidade e a criatividade do povo. O rodeio, por sua vez, é um evento organizado, com palco e microfone, onde a presença de um candidato se transforma em ato político explícito. Se a crítica é que o samba enredo teria favorecido Lula, por que não se aplica o mesmo raciocínio ao comício disfarçado de festa sertaneja?
O problema não está apenas na seletividade das acusações, mas na tentativa de manipular a percepção pública. O discurso da oposição, ao condenar o carnaval e silenciar sobre o rodeio, expõe uma incoerência que fragiliza a credibilidade política. A democracia exige regras claras e iguais para todos. Quando se escolhe aplicar a lei com pesos diferentes, o que se mina não é apenas a imagem de um candidato, mas a confiança da sociedade nas instituições.
Em tempos de polarização, é fundamental que o eleitor perceba essas contradições. O Brasil não pode ser governado por dois códigos de conduta: um para quem samba e outro para quem monta no touro. A coerência é o mínimo que se espera de quem pretende conduzir o país.
O problema nunca é o palco, é quem está em cima dele.
Quem hoje chama o samba de campanha disfarçada já chamou o rodeio de manifestação cultural legítima.
E quem hoje chama o rodeio de ato eleitoral descarado está defendendo o desfile como expressão artística pura.
Político não vai pra evento de massa por acaso, não entra em arena inocentemente e não sobe em avenida por distração.
Eles sabem o tamanho do palco, o alcance da transmissão e o efeito da imagem.
Enquanto rodeio fala com um Brasil, carnaval fala com outro. E ambos falam com milhões.
O curioso é que a indignação também muda de fantasia conforme o camarote.
Portanto, não é sobre boi ou bateria. É sobre coerência.