quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026

Colunas

A DANÇA DAS ALIANÇAS: PT E MDB EM BUSCA DE UMA COLIGAÇÃO NACIONAL

POR Cairo Santos | 05/02/2026
A DANÇA DAS ALIANÇAS: PT E MDB EM BUSCA DE UMA COLIGAÇÃO NACIONAL
U

Um grupo do PT encarregado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de articular sua reeleição pretende fazer uma ofensiva para incluir o MDB na chapa que será levada às urnas em outubro. O principal trunfo a ser oferecido ao partido é o posto de vice, o que deslocaria Geraldo Alckmin (PSB) para a disputa eleitoral de São Paulo. Atualmente, a legenda ocupa três ministérios no governo, mas a cúpula emedebista resiste a um alinhamento eleitoral.

 

A política brasileira é um tabuleiro de xadrez onde as peças muitas vezes mudam de lugar em função de interesses momentâneos e estratégicos. Neste contexto, a possibilidade de uma aliança entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para uma coligação nacional, com a oferta da vice-presidência a um representante do MDB na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, merece uma análise crítica. Historicamente, o MDB tem se posicionado como um partido centrista, com raízes profundas no Brasil e uma capilaridade que o torna essencial em diversas regiões.

 

No entanto, a sua aliança com o PT não é isenta de resistências. O passado recente de tensões entre os dois partidos, especialmente durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, deixa uma sombra de desconfiança que pode dificultar a negociação. A questão que se coloca é: seria a oferta da vice-presidência uma carta mágica capaz de dissolver essa desconfiança?

 

Para o PT, atrair o MDB é uma manobra que pode ampliar a base de apoio e trazer um ar de governabilidade, especialmente em um cenário político fragmentado. Contudo, o desafio será lidar com as resistências regionais, já que o MDB possui uma força considerável em estados onde a imagem do PT é frequentemente vista com desconfiança. Para isso, será crucial que o PT não apenas ofereça a vice-presidência, mas que também reconheça e respeite as lideranças locais do MDB, construindo um diálogo que valorize essas figuras e suas bases eleitorais. Por outro lado, o que fica para Geraldo Alckmin? Como figura que representa outro polo político, sua inserção nesse cenário fica nebulosa.

 

O ex-governador de São Paulo, ao se aliar a Lula, buscou reforçar uma imagem de união e estabilidade. No entanto, a aproximação do PT com o MDB poderá deixá-lo em uma posição menos confortável. Alckmin poderá ser visto como um mero coadjuvante em uma aliança que, a princípio, não deixa de ser pragmática, e não ideológica. Para dobrar as resistências regionais, é preciso que haja um trabalho de base, uma relação de confiança que não se restrinja a acordos de gabinete.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

COMPARTILHE: