sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
O episódio recente em que deputados da CPI do INSS trocaram agressões físicas não pode ser tratado como um mero incidente isolado. Trata-se de um sintoma preocupante da degradação do debate político no Brasil. Uma comissão parlamentar de inquérito, que deveria ser espaço de investigação séria e de busca por soluções para problemas que afetam milhões de brasileiros, transformou-se em palco de espetáculo lamentável.
A cena de parlamentares se agredindo expõe não apenas a falta de preparo emocional para lidar com divergências, mas também a ausência de compromisso com a função institucional que exercem. O mandato não é um privilégio pessoal, mas uma responsabilidade pública. Quando deputados se comportam como adversários em uma arena de gladiadores, o recado transmitido à sociedade é de que a política se reduz a briga e vaidade, em vez de diálogo e construção.
Mais grave ainda é o impacto simbólico: em um país onde a população enfrenta filas intermináveis e dificuldades para acessar benefícios previdenciários, ver seus representantes desperdiçando tempo em agressões físicas é um insulto. A CPI deveria estar voltada para esclarecer irregularidades, propor melhorias e garantir justiça social. Em vez disso, virou manchete por motivos que envergonham o Parlamento.
É preciso lembrar que a democracia se sustenta na capacidade de ouvir, discordar e negociar. A agressão física é a negação desse princípio. O episódio da CPI do INSS não deve ser relativizado; deve servir como alerta. O Parlamento precisa resgatar a dignidade de sua função, sob pena de perder ainda mais a confiança da sociedade.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.