quarta-feira, 01 de julho de 2026

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A COR DA VIOLÊNCIA: POR QUE A POLÍCIA BRASILEIRA MATA MAIS NEGROS?

POR Cairo Santos | 01/07/2026
A COR DA VIOLÊNCIA: POR QUE A POLÍCIA BRASILEIRA MATA MAIS NEGROS?
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A persistente desigualdade racial no Brasil encontra sua expressão mais brutal nas estatísticas da violência policial. Dados recentes mostram que jovens negros são desproporcionalmente vítimas de ações letais da polícia, revelando um padrão que não pode ser explicado apenas pelo acaso ou pela geografia do crime. Trata-se de um reflexo direto de estruturas históricas e sociais que naturalizam a morte de corpos negros.

 

O legado da escravidão, nunca devidamente enfrentado, construiu uma sociedade em que a cor da pele ainda define quem é visto como ameaça. A criminalização da pobreza, somada ao racismo estrutural, faz com que comunidades periféricas — majoritariamente negras — sejam alvo preferencial de operações policiais. A lógica é perversa: a segurança pública se confunde com controle social, e a vida negra se torna descartável.

 

Além disso, a formação policial no Brasil ainda é marcada por uma cultura de confronto, em vez de proteção. O treinamento enfatiza o inimigo interno, reforçando estereótipos que associam juventude negra à criminalidade. O resultado é uma prática institucional que legitima a violência seletiva, sustentada por discursos oficiais que falam em “guerra às drogas”, mas silenciam sobre o racismo.

 

É preciso reconhecer que não se trata de casos isolados, mas de uma engrenagem sistêmica. A cada morte, o Estado reafirma a desigualdade que deveria combater. A cada operação, a democracia se fragiliza, pois não há democracia plena quando parte da população vive sob constante ameaça de extermínio.

 

Romper esse ciclo exige mais do que reformas pontuais. É necessário enfrentar o racismo estrutural de frente: repensar a política de segurança, investir em prevenção e inclusão, e, sobretudo valorizar vidas negras como vidas que importam. Enquanto isso não acontecer, o Brasil continuará a carregar a marca de um país que escolhe quem pode viver e quem deve morrer.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

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