segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
A recente caminhada do deputado Nikolas Ferreira até Brasília foi cercada de simbolismo político e ampla repercussão nas redes sociais. O gesto, carregado de narrativa épica, buscou transmitir proximidade com o povo e disposição para enfrentar desafios. Mas, passada a poeira da estrada, resta a pergunta essencial: o que, de fato, mudou na vida da população?
Entre o espetáculo e a prática a caminhada cumpriu bem o papel de espetáculo político. Mobilizou apoiadores, gerou manchetes e consolidou a imagem de um parlamentar combativo. Contudo, quando se trata de resultados concretos — projetos aprovados, políticas públicas implementadas, benefícios diretos para os cidadãos — o saldo é bem mais modesto. O ato parece ter se encerrado em si mesmo, sem desdobramentos palpáveis para quem enfrenta filas em hospitais, falta de vagas em creches ou insegurança nas ruas.
O episódio expõe uma tendência crescente: a política transformada em performance. Caminhar até Brasília pode soar como metáfora de resistência, mas não substitui o trabalho legislativo cotidiano, que exige articulação, diálogo e capacidade de construir consensos. A população precisa de soluções, não apenas de gestos simbólicos.
Há um custo quando a política se reduz a atos midiáticos. O tempo e a energia gastos em iniciativas de forte apelo emocional poderiam ser canalizados para debates técnicos, elaboração de propostas e fiscalização efetiva do Executivo. O risco é que o cidadão se torne espectador de uma encenação, em vez de protagonista de políticas que melhorem sua vida.
No fim, a caminhada deixa mais perguntas do que respostas. O que foi conquistado em Brasília além da narrativa? Quais projetos nasceram desse ato? Qual impacto real se pode medir? Se não houver respostas claras, a iniciativa corre o risco de ser lembrada como um gesto vazio, mais útil para a biografia política do deputado do que para o cotidiano da população. Pense nisso.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.