sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026

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A AVALIAÇÃO DA GESTÃO E SUAS IMPLICAÇÕES NA REELEIÇÃO: UM JOGO DE ESTRATÉGIAS

POR Cairo Santos | 06/02/2026
A AVALIAÇÃO DA GESTÃO E SUAS IMPLICAÇÕES NA REELEIÇÃO: UM JOGO DE ESTRATÉGIAS
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No cenário político atual, a reeleição de um candidato é frequentemente considerada uma continuidade da aprovação popular. Entretanto, a avaliação positiva ou negativa de sua gestão pode ser um fator decisivo, mas não de maneira linear. A complexidade do eleitorado e as dinâmicas sociais e econômicas podem transformar uma avaliação positiva em um trunfo eleitoral, enquanto uma avaliação negativa pode não ser suficiente para barrar a reeleição. Em primeiro lugar, é crucial entender que a avaliação positiva não é um bilhete dourado para a reeleição.

 

Muitos fatores influenciam o voto, e a percepção da população pode ser moldada por aspectos que vão além dos resultados diretos da administração. O contexto econômico, questões sociais emergentes e a capacidade de comunicação do candidato são exemplos de variáveis que podem alterar a balança. Um governo com aprovação alta pode ser derrubado por crises externas, enquanto um líder com uma avaliação negativa pode encontrar uma forma de se reinventar e conquistar novos apoiadores. Por outro lado, a avaliação negativa pode trazer consequências significativas. Candidatos que enfrentam desaprovação generalizada tendem a se ver em um cenário delicado, onde cada erro pode ser amplificado pela oposição e pela mídia.

 

No entanto, há quem argumente que uma avaliação negativa também pode ser usada como estratégia. A construção de um antagonismo em relação ao "outro" candidato, ou a exploração de temas polarizadores, pode mobilizar eleitores que se sentem ameaçados por propostas ou ideais opostos. Além disso, a forma como a avaliação é apresentada ao público também desempenha um papel crucial. Pesquisas de opinião, cobertura de mídia e a presença nas redes sociais podem influenciar a percepção popular de um candidato.

 

Uma gestão repleta de desafios pode ser suavizada por uma comunicação eficaz e por narrativas que enfatizem conquistas, mesmo que estas sejam parciais. Portanto, ao avaliar se a avaliação positiva ou negativa é decisiva na reeleição, é importante considerar uma abordagem multifacetada. A conexão emocional que um candidato estabelece com o eleitor, sua capacidade de adaptação e de responder às necessidades da população, bem como o contexto político mais amplo, são fatores que podem ser tão, ou mais, importantes quanto à avaliação em si.

 

Como exemplo podemos citar levantamentos do Instituto Datafolha, cruzados com resultados eleitorais oficiais e análises históricas, revelam que aprovação é fotografia e a eleição é filme. O contexto econômico, o desgaste político, o perfil do candidato e o ambiente de polarização frequentemente pesam mais do que os índices de “ótimo” ou “bom”.

 

No último ano do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, a avaliação do governo apresentava estabilidade, mas em patamar inferior ao observado no encerramento do primeiro mandato. Segundo pesquisa Datafolha, em 2002 o governo FHC recebeu nota média 5,1, numa escala de 0 a 10, abaixo dos 6 pontos registrados em agosto de 1998, às vésperas da reeleição.

 

Na mesma pesquisa, 27% dos brasileiros avaliavam o governo como ótimo ou bom, enquanto a maioria o classificava como regular.

 

Mesmo com avaliação considerada razoável, o candidato apoiado por FHC, José Serra, foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. Os dados do Datafolha indicavam que apenas 52% dos eleitores de Serra avaliavam positivamente o governo, enquanto entre os eleitores de Lula, 43% classificavam a gestão como ruim ou péssima.

 

Em suma, não podemos subestimar o poder da avaliação.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

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