terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Foto: FGV
No dia 24 de abril de 1932, o Brasil deu um passo histórico ao reconhecer o direito das mulheres ao voto. A conquista, fruto da luta incansável de lideranças como Bertha Lutz e de movimentos feministas da época, representou não apenas a abertura das urnas às mulheres, mas também a afirmação de que cidadania plena não poderia ser restrita ao gênero masculino.
Mas a celebração não pode ser ingênua: a democracia brasileira ainda não reflete a força do eleitorado feminino.
As mulheres são maioria nas urnas, mas minoria nos espaços de poder. Essa desigualdade não é fruto da falta de interesse, mas de barreiras históricas e culturais que ainda persistem. O voto foi a porta de entrada, mas não garantiu igualdade de condições.
O desafio, hoje, é transformar o direito em representatividade real. Só assim poderemos dizer que a democracia brasileira honra, de fato, a luta de Bertha Lutz e de tantas outras que abriram caminho em 1932.
Passados 94 anos, é inevitável refletir sobre os avanços e os desafios que ainda persistem. Se por um lado a presença feminina na política cresceu, com mulheres ocupando cadeiras no Congresso Nacional, governos estaduais e até a Presidência da República, por outro, os números revelam que a representatividade ainda está longe de ser proporcional. Essa discrepância expõe um paradoxo: o direito conquistado em 1932 abriu portas, mas não garantiu igualdade de condições. Barreiras culturais, econômicas e institucionais continuam a limitar a participação feminina. A política, muitas vezes, ainda é um território hostil, marcado por preconceitos e pela dificuldade de conciliar vida pública e responsabilidades privadas, que recaem de forma desigual sobre as mulheres.
Comemorar os 94 anos do voto feminino é, portanto, mais do que celebrar uma vitória histórica. É reconhecer que a democracia brasileira só será plena quando refletir, em seus espaços de poder, a diversidade e a força das mulheres que a sustentam. O voto foi o primeiro passo; a igualdade efetiva ainda é uma caminhada em curso.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.