quarta-feira, 24 de julho de 2024

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Efeito das fortes chuvas na produção de hortaliças no Rio Grande do Sul

POR Jornal Somos | 04/06/2024
Efeito das fortes chuvas na produção de hortaliças no Rio Grande do Sul

Foto: Freepik

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A tragédia climática que o Rio Grande do Sul tem enfrentado recentemente vem resultando em perdas significativas na produção de hortaliças, segundo levantamento da Emater/RS e da Conab. Os prejuízos ainda estão sendo contabilizados, mas já se sabe que até mesmo as regiões onde não houve alagamentos terão danos. Entre as principais culturas afetadas estão a rúcula, alface, repolho, cenoura, beterraba, cebola e o morango.


O cenário observado nas principais regiões produtoras é de impacto extremamente negativo, ocasionado pelo alagamento e a elevada umidade com baixa luminosidade, comprometendo até mesmo o cultivo protegido. A umidade alta não só contribui para a disseminação de doenças, mas também afeta negativamente o crescimento das plantas. Outro problema enfrentado pelos produtores é a impossibilidade de realizar o manejo das áreas para preparo do solo, com perdas de solo e nutrientes.


Quase a totalidade da produção das diferentes hortaliças no estado, é realizada pela agricultura familiar, ou seja, pequenos produtores em diversos municípios, de norte a sul do estado. Parte dessa produção é para subsistência, fator que agrava mais ainda a situação. Muitos desses pequenos produtores tiveram sua propriedade inteira destruída pela enchente, plantações inundadas e animais que morreram afogados. Ainda não é possível realizar um levantamento do número de agricultores atingidos, uma vez que muitas localidades estão sem acesso, com estradas totalmente danificadas.


Tentando facilitar as operações comerciais e sanar os problemas logísticos, as autoridades transferiram a Central de Abastecimento (Ceasa) da capital de Porto Alegre para a cidade de Gravataí. Segundo a Conab, apesar dos problemas de logísticas e produção enfrentados, a maioria das mercadorias estão mantendo os preços de cotação estáveis no comparativo com os preços anteriores às enchentes. Os produtos que têm mostrado altas destacadas são a rúcula, a couve, o morango e a beterraba.

 


Produção de Hortaliças

Segundo levantamento inicial da Emater-RS, as fortes chuvas provocaram perdas na produção de várias hortaliças, principalmente as folhosas - as mais perecíveis - como alface, rúcula, repolho e outras. Mesmo nas regiões onde a inundação não foi tão intensa e as folhosas foram protegidas por plásticos, as folhas de baixo foram atingidas. O maior prejuízo foi nas alfaces, como as da variedade americana, mais suscetíveis à umidade.

 

A batata em algumas regiões está tendo sua colheita prejudicada pela chuva, como é o caso da região de Campos de Cima da Serra, onde cerca de 30% da batata ainda está debaixo da terra. Já os campos que se encontravam em desenvolvimento estão sendo muito prejudicados pelas chuvas constantes e alta umidade. Já na região de Ibiraiaras, apesar de ter chovido bastante na região, não houve alagamentos, mas lavouras em desenvolvimento estão sofrendo por falta da luz solar e excesso de umidade, causando estiolamento e senescência das plantas, com redução da produtividade.

 


Outra cultura que vem sendo muito impactada com toda essa tragédia é o morango. O estado do RS é um grande produtor desta hortaliça. As fortes chuvas afetaram as estruturas de proteção dos cultivos da cultura em algumas regiões, causando estragos e até perdas totais das plantas, além do clima nublado e úmido que tem afetado negativamente a produção.

 

Já no caso da cenoura o cenário é bastante complicado, principalmente na região de Caxias do Sul, onde a safra de verão foi atingida pelas fortes chuvas, provocando perdas significativas e prejudicando a atividade de colheita, bem como o plantio da safra de inverno.
A cultura do tomate possuía cerca de 15% da safra em ponto de colheita na região de Caxias do Sul, com toda essa chuva o produtor deve ter cerca de 50% de prejuízo. Já nas regiões que foram inundadas, como por exemplo, Feliz e São Sebastião do Caí, o produtor terá 100% de perda do tomate restante.

 

Os danos ocasionados pela umidade do solo vêm impactando as culturas da cebola e do alho, causando perdas e danos ao desenvolvimento das culturas em questão. No caso da cebola, produtores de Caxias do Sul, por exemplo, têm enfrentado dificuldades com a germinação das sementes. As projeções da Emater indicam uma redução na área a ser cultivada na safra 2024/2025. No caso do alho, ocorrerá atraso no plantio.

 

Produção de sementes

 

O Rio Grande do Sul é também um importante produtor de sementes, local onde várias empresas atuam nas diferentes etapas como produção, beneficiamento, armazenamento e distribuição de sementes. As chuvas intensas e alagamentos afetaram a produção e colheita de sementes de algumas espécies como acelga, beterraba e brássicas, na região de Candiota, por exemplo.

 

A produção de sementes de cebola será bastante impactada pelo ocorrido, uma vez que os locais produtores como São José do Norte, que se encontravam na fase de produção de bulbos de cebola visando a fase vegetativa (primeira fase) de produção de sementes, foram bastante afetados pelo elevado nível das águas na Lagoa dos Patos, comprometendo quase a totalidade da produção dos bulbos, prejudicando a produção de sementes na segunda fase (reprodutiva).

 

As chuvas também podem prejudicar o preparo de solo para a produção de sementes das hortaliças de inverno como salsa, cenoura, coentro, couve e brócolis, que deveriam ser implementados nas próximas semanas. Além dos campos de produção, algumas empresas de sementes tiveram seus armazéns e câmaras frias atingidos pelas chuvas e tiveram que paralisar suas operações, perdas estas ainda não contabilizadas.

 

Prejuízo

 

Segundo informações publicadas pelo Correio Braziliense, o prejuízo financeiro provocado pelas enchentes no Rio Grande do Sul somou R$ 9,6 bilhões até o dia 19 de maio, dado inferior aos R$ 10 bilhões divulgados na véspera devido à atualização de algumas prefeituras, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). E, desse total, as perdas no setor agrícola somaram R$ 2 bilhões.

 

A tragédia afetou 461 municípios gaúchos, segundo dados da Defesa Civil. A CNM relata que, os números do dia 19 de maio apontavam para 155 mortos, 445 desaparecidos e 735,5 mil desabrigados ou desalojados. O maior volume de perdas segue na habitação, de R$ 4,6 bilhões.

 

Por se tratar de uma tragédia de grande dimensão, os danos não podem ainda ser calculados de forma precisa, os números são preliminares e ainda não é possível chegar a um número exato de todas as perdas ocasionadas pelas chuvas no Estado. Só se sabe que os gaúchos têm uma longa estrada de reconstrução pela frente e que irão precisar de todo apoio possível.

 

 

Artigo produzido por:

Rafael Jorge Corsino
Presidente - Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Hortaliças

Patricia Pereira da Silva
Consultora técnica - Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Hortaliças

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