segunda-feira, 09 de março de 2026

Mesmo com atraso na colheita por causa das chuvas, Goiás deve ampliar exportação de soja em março

POR Marcos Paulo dos Santos | 08/03/2026
Mesmo com atraso na colheita por causa das chuvas, Goiás deve ampliar exportação de soja em março
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Mesmo após um início de ano marcado por chuvas intensas, Goiás deve registrar um aumento significativo nas exportações de soja nos próximos dias. A expectativa é impulsionada pela forte demanda internacional e pela programação de embarques nos portos brasileiros ao longo do mês de março.

 

De acordo com o 5º Boletim de Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado deverá alcançar na safra 2025/26 a segunda maior colheita de grãos de sua história. O resultado vem logo após o recorde registrado no ciclo 2024/25, mantendo Goiás entre os principais produtores do país, com destaque nas cadeias de soja, milho, girassol e sorgo.

 

No comércio exterior, o desempenho do agronegócio também tem garantido resultados expressivos. Em 2025, Goiás registrou superávit superior a US$ 8 bilhões na balança comercial, impulsionado principalmente pelas exportações do setor agropecuário.

 

Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a programação de navios nos portos brasileiros indica exportações de 16,1 milhões de toneladas de soja somente em março.

 

Para Israel Santos, gerente comercial da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), o excesso de chuvas provocou atraso natural na colheita, mas a tendência é de recuperação no ritmo das exportações.

 

“Apesar do início de ano complicado, marcado por muita chuva, houve um atraso natural no ciclo da colheita. Mas quando observamos os próximos meses, especialmente março, percebemos um aumento muito forte no movimento dos portos brasileiros, inclusive em comparação com o mesmo período do ano passado”, explicou.

 

A cooperativa também alerta que a umidade elevada pode influenciar a qualidade dos grãos, o que exige atenção dos produtores no armazenamento e na logística.

Mercado internacional favorece o Brasil

 

O cenário internacional também contribui para ampliar as oportunidades do agronegócio brasileiro. A dinâmica das relações comerciais entre Estados Unidos e China tem provocado ajustes no mercado global, abrindo espaço para que o Brasil amplie suas vendas para outros países.

 

Segundo especialistas do setor, a logística das exportações exige planejamento, já que o transporte marítimo pode levar semanas e parte da soja exportada permanece armazenada antes de seguir para processamento.

 

Contratos ajudam a reduzir riscos no agronegócio

 

Diante da complexidade das operações internacionais, especialistas destacam a importância de contratos bem estruturados para garantir segurança nas negociações.

 

A advogada especialista em Direito do Agronegócio, Lívia Quixabeira, explica que produtores e empresas precisam se proteger juridicamente para evitar prejuízos.

 

“Os produtores já enfrentam riscos inevitáveis, como os efeitos climáticos sobre a lavoura. Mas existem riscos que podem ser evitados. Um contrato bem elaborado define responsabilidades no transporte, critérios de qualidade dos grãos, qual legislação será aplicada em caso de problemas e onde eventuais conflitos serão resolvidos”, destacou.

 

Ela também ressalta que operações de exportação exigem organização empresarial, controle documental e gestão de risco cambial para garantir segurança financeira.

 

Rio Verde lidera exportações em Goiás

 

Dados da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC) mostram que o complexo soja representou 46,55% de todas as exportações goianas em 2025.

 

No ranking dos municípios exportadores, Rio Verde liderou as vendas internacionais em dezembro, com 25,40% das exportações do estado. Em seguida aparecem Jataí (8,42%), Mozarlândia (5,08%), Palmeiras de Goiás (4,64%) e Alto Horizonte (3,76%).

 

Entre janeiro e dezembro de 2025, as exportações de Goiás somaram US$ 13,4 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 5,3 bilhões. Apenas em dezembro, o saldo comercial foi de US$ 613 milhões, com exportações de US$ 999 milhões e importações de US$ 386 milhões.

 

Para 2026, a expectativa é que o estado mantenha o protagonismo nacional na produção e exportação de soja, com possibilidade de novos recordes impulsionados pela expansão da área plantada e pela forte demanda internacional.

 

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