sexta-feira, 16 de outubro de 2026
As exportações de café alcançaram 11,2 milhões de sacas no primeiro trimestre, impulsionadas principalmente pela robusta, mas enfrentam desafios de qualidade e de estratégia de venda dos produtores.
Foto: via Canal Rural
Os dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, entre julho e setembro, o volume exportado de café - englobando verde, torrado e solúvel - chegou a 11,2 milhões de sacas de 60?kg, representando um aumento de 15,5?% em relação ao mesmo período da safra 2025/26.
O destaque ficou por conta da espécie robusta, cujas exportações totalizaram 2,6 milhões de sacas no trimestre, o que equivale a um salto de 66,6?% comparado à temporada anterior.
Segundo o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), o crescimento da robusta foi sustentado pela ampla disponibilidade do grão e por uma demanda que se reativou após a retirada, em junho, das tarifas extras que os Estados Unidos cobravam sobre o café solúvel.
Para o café arábica, o desempenho também foi positivo: foram exportadas 7,6 milhões de sacas, registrando alta de 4,2?% frente ao primeiro trimestre de 2025/26.
Entretanto, o último mês do período analisado apresentou retração. Em setembro, as exportações totalizaram 2,8 milhões de sacas, queda de 6,5?% em relação a agosto e de 7,1?% quando comparadas a setembro do ano anterior.
O Cepea alerta para duas dificuldades que podem limitar a continuidade desse ritmo. Primeiro, produtores mais capitalizados tendem a postergar vendas para momentos em que necessitam de caixa, reduzindo a oferta imediata. Segundo, problemas de qualidade apontados por colaboradores do centro reduzem a quantidade de lotes que atendem aos padrões exigidos pelos importadores.
Para o produtor rural de Goiás, a situação traz implicações práticas. O aumento nas exportações de robusta pode gerar oportunidades de melhor preço e maior liquidez, sobretudo para aqueles que conseguem atender aos requisitos de qualidade. Por outro lado, a restrição de lotes qualificados e a estratégia de retenção de estoque por parte de produtores mais capitalizados podem pressionar os preços à baixa e limitar a velocidade de escoamento, exigindo planejamento cuidadoso de vendas e investimentos em processos de melhoria da qualidade.
Fonte: Canal Rural.
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