Coluna Marcos Paulo: "CHOVEU APENAS 3 A 5MM, MAS TERIA DE SER 20 A 30MM", DIZ PRODUTOR SOBRE POSSÍVEL QUEDA DA PRODUTIVIDADE DA SAFRA

POR Marcos Paulo dos Santos | 22/11/2023
Coluna Marcos Paulo:

Foto: Divulgação - Ivan Bruceli

A

Aparentemente o excesso de calor e a falta de chuva, causado pelo fenômeno El Niño e impulsionada pela crise climática, pode influenciar o resultado da safra 2023/24, é o que diz o produtor Ivan Bruceli. Em entrevista a coluna, o engenheiro e diretor do Sindicato Rural de Rio Verde relatou as dificuldades que está enfrentando no campo atualmente.

 

 

Alto custo de produção, o baixo rendimento da soja pós-florescimento frente a pouca umidade para melhor desenvolvimento, são alguns dos problemas conhecidos que não só ele está enfrentando, mas também, outros produtores com quem ele tem conversado. O assunto do leite importado também foi trazido por ele. Confira;

 

 

Atraso no plantio de soja: “Muitas pessoas não conseguiram plantar e com esse atraso do plantio, reflete na diminuição da área para a produção da safrinha do milho, porque se fosse feito o replantio hoje, por exemplo, seria colhido lá março, então não haveria tempo para o milho safrinha”.

 

 

Dano por calor: “As áreas sofreram muito com altas temperaturas, estresse hídrico e falta de água, onde diminuiu o número de planta por metro, o que abaixou o potencial produtivo da lavoura em torno de 20% do que no ano passado, principalmente em algumas áreas com pouca palhada e plantio tradicional”.

 

 

Pouca chuva: “Chove cerca de 3 a 5 mm, mas teria que chover de 20 a 30mm. Em cada precipitação, elas estão poucas e irregulares. Agora, a soja está florando e começando a encher de grãos. Ela aguentaria este período seco, depois disso, a cultivar vai ter de precisar de chuva para desenvolver”.

 

 

Expectativa sobre esta safra: “Para esta safra, penso que será menor, por mais que tenha aumentado o tamanho da área. Só que essa não será igual ao termo de volume devido aos 20% da lavoura plantada com potencial reduzido”.

 

 

Para o Ivan, o produtor poderá ter zero lucratividade ou arcar com prejuízo nesta temporada devido aos transtornos atuais causados não só pelo clima, mas também, por medidas governamentais.

 

 

“O ano está muito difícil devido ao alto custo. Temos a questão pecuária que está muito ruim. Quem arrenda área vai sofrer mais. A importação de leite jogou o preço lá em baixo”, afirma o engenheiro agrônomo.

 

 

Como ele pontua, o agro brasileiro costuma ser totalmente responsabilizado pelo caos do desmatamento, mas dados da Embrapa, apontam que o agro usa apenas 22,2% da área plantada, enquanto 74,3% do espaço é reservado a vegetação protegida, preservada e conservada.

 

 

Com o período chuvoso se iniciado nessa semana, a expectativa é de trazer um alento e claro, mais umidade para o desenvolvimento da cultura. Entretanto, a previsão é que em 2024 em diante, teremos cada vez mais períodos rotineiros de ondas de calor. A pergunta que fica aqui: além de nós, será que o agro aguenta esse período de calorão?

 

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.

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