sexta-feira, 20 de março de 2026

Tenente-coronel preso suspeito de feminicídio em SP afirmou em mensagens que era “macho-alfa” e que vítima era submissa

POR Marcos Paulo dos Santos | 20/03/2026
Tenente-coronel preso suspeito de feminicídio em SP afirmou em mensagens que era “macho-alfa” e que vítima era submissa
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O tenente-coronel da Polícia Militar, de 56 anos, preso nesta quarta-feira (18) sob suspeita de feminicídio e fraude processual, enviou mensagens à esposa com teor controlador e autoritário semanas antes do crime. O conteúdo foi incluído na denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo.

 

A vítima, uma soldado de 32 anos, foi encontrada morta na manhã do dia 18 do mês passado, dentro de um apartamento no bairro Brás, na região central da capital paulista.

 

De acordo com a investigação, nas mensagens trocadas em fevereiro, o oficial afirmava que a esposa deveria ser submissa no relacionamento. Em um dos trechos, ele escreveu: “Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser.”

 

Em outra mensagem, o militar exalta a própria imagem ao responder a um elogio da esposa: “Sou mais que um príncipe, sou rei, religioso, honesto, trabalhador, inteligente, saudável, bonito, gostoso, carinhoso, romântico, provedor, soberano.”

 

As conversas também mostram conflitos sobre questões financeiras. O tenente-coronel afirma arcar sozinho com despesas superiores a R$ 6 mil mensais e cobra algum tipo de retorno da esposa. “Eu invisto todos os meses R$ 3.000 de aluguel, R$ 2.000 de condomínio, R$ 500 de água e luz, R$ 500 de gás, fora mercado e saídas… e você investe quanto?”, questiona. Em seguida, completa: “Não tem dinheiro, blz. Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo… mas nem isso você faz.”

 

A vítima rebateu e manifestou desejo de separação: “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final.” Ela também discordou da visão do companheiro sobre contribuição no relacionamento: “Pra mim não é assim que funciona, nunca foi assim e não vai ser agora que vai mudar.”

 

Dias depois, a mulher relatou uma agressão. Em mensagem enviada ao marido, afirmou: “Você não me respeita; não sabe conversar; ontem enfiou a mão na minha cara.”

Segundo a investigação, o comportamento do oficial também se estendia ao ambiente de trabalho da vítima, onde ele teria causado constrangimentos ao comparecer sem justificativa e permanecer por longos períodos observando suas atividades.

 

As promotoras responsáveis pelo caso apontam que o suspeito apresentava perfil possessivo, controlador e autoritário. A denúncia foi aceita pela Justiça comum, tornando o militar réu no processo.

 

De acordo com os elementos reunidos, há indícios de que a vítima foi surpreendida pelas costas e morta com um disparo de arma de fogo. O oficial era a única pessoa no apartamento no momento do crime.

 

Ele afirma que a esposa teria tirado a própria vida enquanto ele estava no banho. No entanto, inconsistências no depoimento, além da posição do corpo, manchas de sangue e sinais de agressão, levaram à decretação da prisão.

 

A defesa sustenta que a decisão foi ilegal e questiona a divulgação de informações pessoais do acusado, alegando exposição indevida.

 

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