sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Foto: Divulgação
Um estudo divulgado em julho a partir de uma parceria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com a Polícia Científica do Estado registrou a presença de octodrina em 10 amostras de cigarro eletrônico coletadas em Joinville. A substância pertence ao grupo das anfetaminas, podendo causar danos ao coração, e é altamente viciante.
“Existe uma grande diversidade de substâncias no grupo das anfetaminas. O fato é que todas agem de forma semelhante no sistema nervoso central: deixando o indivíduo mais agitado, mais animado, mais excitado. Por outro lado, também podem causar dano no coração”, alerta a professora Camila Marchioni, líder do estudo, em entrevista à Agência Brasil.
Nas embalagens do produto, não havia qualquer indicação de presença da droga. As pessoas consumiam o entorpecente sem saber. Entre os dados coletados estão a presença de derivados de glicerina, flavorizantes e nicotina nas amostras, todas substâncias cancerígenas, o que refuta a ideia anteriormente difundida de que os vapores emitidos pelos dispositivos eletrônicos de fumar seriam inofensivos, segundo especialistas.
“Esses produtos levam a um vício muito extremo e possuem um risco que nunca poderá ser controlado ou reduzido. Não sabemos o que eles contêm, mas temos visto pacientes terem câncer de pulmão aos 30 anos, uma doença que antes era mais frequente apenas em idosos, por terem começado a usar esses dispositivos aos 12 anos”, completa a especialista.
Mesmo com riscos ainda a população de brasileiros que consome cigarro eletrônico no Brasil não para de crescer. Um relatório do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec) estimou em janeiro que há cerca de 3 milhões de consumidores de vape no Brasil. Nos seis primeiros meses deste ano, a Receita Federal apreendeu 760 mil dispositivos eletrônicos de fumar.
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