sexta-feira, 23 de outubro de 2026
O Plenário do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (24), um projeto de lei que inclui a misoginia — caracterizada como ódio ou aversão às mulheres — entre os crimes de preconceito e discriminação no Brasil. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.
O texto recebeu 67 votos favoráveis e nenhum contrário. Agora, segue para análise da Câmara dos Deputados.
A proposta altera a Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), passando a considerar a “condição de mulher” como um dos critérios de discriminação, ao lado de fatores como cor, etnia, religião e procedência nacional.
Com a nova tipificação, a misoginia deixa de ser tratada apenas como injúria ou difamação — crimes com penas mais leves — e passa a ter enquadramento mais rigoroso. Atualmente, esses casos podem resultar em penas de dois meses a um ano de detenção.
Para evitar conflitos jurídicos, o texto também estabelece que o Código Penal continuará tratando apenas da injúria no contexto de violência doméstica, enquanto a injúria misógina passa a ser considerada mais grave e enquadrada na nova legislação.
A aprovação ocorreu após discussões entre parlamentares. Parte dos senadores defendeu a proposta como uma resposta necessária ao aumento da violência contra mulheres no país. Outros demonstraram preocupação com possíveis impactos na liberdade de expressão e na ampliação da Lei do Racismo.
Durante o debate, foi destacado que o Brasil registrou milhares de tentativas de feminicídio em 2025, além de uma média alarmante de casos consumados. Também foi mencionado o crescimento de movimentos na internet que incentivam discursos de ódio contra mulheres.
Uma emenda que previa exceções para manifestações artísticas, acadêmicas, religiosas e jornalísticas sem intenção discriminatória chegou a ser proposta, mas acabou rejeitada em plenário.
Durante a análise do projeto, foram esclarecidos termos frequentemente confundidos:
A proposta ainda será analisada pela Câmara dos Deputados e pode sofrer alterações antes de uma eventual sanção presidencial.
Se aprovada em definitivo, a nova legislação representará um endurecimento no combate a crimes motivados por discriminação de gênero no país.
Com informações de Senado Federal.
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