quarta-feira, 25 de março de 2026

Brasil

Senado aprova projeto que torna misoginia crime com pena de até 5 anos de prisão

POR Marcos Paulo dos Santos | 25/03/2026
Senado aprova projeto que torna misoginia crime com pena de até 5 anos de prisão
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O Plenário do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (24), um projeto de lei que inclui a misoginia — caracterizada como ódio ou aversão às mulheres — entre os crimes de preconceito e discriminação no Brasil. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

 

O texto recebeu 67 votos favoráveis e nenhum contrário. Agora, segue para análise da Câmara dos Deputados.

 

A proposta altera a Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), passando a considerar a “condição de mulher” como um dos critérios de discriminação, ao lado de fatores como cor, etnia, religião e procedência nacional.

 

O que muda na prática

 

Com a nova tipificação, a misoginia deixa de ser tratada apenas como injúria ou difamação — crimes com penas mais leves — e passa a ter enquadramento mais rigoroso. Atualmente, esses casos podem resultar em penas de dois meses a um ano de detenção.

 

Para evitar conflitos jurídicos, o texto também estabelece que o Código Penal continuará tratando apenas da injúria no contexto de violência doméstica, enquanto a injúria misógina passa a ser considerada mais grave e enquadrada na nova legislação.

 

Debate e divergências

 

A aprovação ocorreu após discussões entre parlamentares. Parte dos senadores defendeu a proposta como uma resposta necessária ao aumento da violência contra mulheres no país. Outros demonstraram preocupação com possíveis impactos na liberdade de expressão e na ampliação da Lei do Racismo.

 

Durante o debate, foi destacado que o Brasil registrou milhares de tentativas de feminicídio em 2025, além de uma média alarmante de casos consumados. Também foi mencionado o crescimento de movimentos na internet que incentivam discursos de ódio contra mulheres.

 

Uma emenda que previa exceções para manifestações artísticas, acadêmicas, religiosas e jornalísticas sem intenção discriminatória chegou a ser proposta, mas acabou rejeitada em plenário.

 

Conceitos discutidos

 

Durante a análise do projeto, foram esclarecidos termos frequentemente confundidos:

 

  • Machismo: ideologia que defende a superioridade masculina
  • Femismo: ideologia que defende a superioridade feminina
  • Feminismo: movimento que busca igualdade de direitos entre homens e mulheres
  • Misoginia: ódio, desprezo ou aversão às mulheres

 

Próximos passos

 

A proposta ainda será analisada pela Câmara dos Deputados e pode sofrer alterações antes de uma eventual sanção presidencial.

 

Se aprovada em definitivo, a nova legislação representará um endurecimento no combate a crimes motivados por discriminação de gênero no país.

 

 

Com informações de Senado Federal.

 

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