terça-feira, 19 de maio de 2026
O racismo no Brasil não é apenas fruto de atitudes individuais ou de preconceitos isolados. Ele está enraizado nas estruturas sociais, políticas e econômicas que moldam nosso cotidiano. Esse fenômeno, conhecido como racismo estrutural, manifesta-se em desigualdades persistentes: na educação, no mercado de trabalho, na saúde, na segurança pública e até no acesso à cultura.
Dados mostram que pessoas negras têm menor renda média, enfrentam maiores taxas de desemprego e são as principais vítimas da violência policial. Essas disparidades não são coincidência, mas resultado de séculos de exclusão e da ausência de políticas efetivas de reparação. Reconhecer essa realidade é o primeiro passo para combatê-la.
Os desafios são imensos. É preciso enfrentar o racismo institucional, que se expressa em práticas discriminatórias dentro de órgãos públicos e privados. É necessário também desconstruir estereótipos que reforçam preconceitos e perpetuam desigualdades. A educação tem papel central nesse processo: formar cidadãos conscientes, capazes de identificar e combater o racismo em todas as suas formas.
Mas há caminhos possíveis. Políticas de ações afirmativas, como cotas raciais em universidades e concursos públicos, já demonstraram resultados positivos na inclusão de pessoas negras em espaços historicamente negados. Investir em programas de valorização da cultura afro-brasileira e ampliar o acesso à saúde e à educação de qualidade são medidas igualmente fundamentais.
A luta contra o racismo estrutural exige compromisso coletivo. Não basta não ser racista; é preciso ser antirracista, questionando privilégios, denunciando injustiças e apoiando políticas que promovam a igualdade. Só assim poderemos construir uma sociedade verdadeiramente democrática, onde a cor da pele não determine oportunidades ou destinos.
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Somos.