terça-feira, 21 de abril de 2026
Foto: Reprodução
Conteúdos criados por Inteligência Artificial (IA), conhecidos como “Novelas das Frutas”, têm ganhado grande repercussão nas redes sociais, especialmente no TikTok. Apesar do sucesso, especialistas demonstram preocupação com os possíveis efeitos desse tipo de material, principalmente entre crianças e adolescentes.
Produzidos por usuários independentes, os vídeos apresentam personagens com características humanas, como “Moranguete”, “Bananildo” e “Abacatudo”, em histórias curtas no estilo “reality show”. No entanto, os roteiros frequentemente incluem linguagem ofensiva, preconceito, misoginia e até sexualização.
Segundo a psicóloga Maysa Nóbrega, esse tipo de conteúdo se enquadra no fenômeno conhecido como “brain rot”, termo utilizado para descrever materiais superficiais e de consumo rápido. Ela explica que, diante do excesso de informações, esses vídeos funcionam como uma espécie de escape.
“São histórias, muitas vezes estranhas, como frutas em corpos humanos, mas que trazem emoções familiares, ligadas ao cotidiano. Isso facilita o consumo e a identificação”, afirma.
A profissional também destaca que os vídeos seguem uma lógica contínua, com ganchos que incentivam o público a assistir ao próximo episódio, estimulando um consumo prolongado. Para ela, isso pode levar à banalização de temas sensíveis.
“Situações como traições, violência e morte acabam sendo normalizadas. O cérebro se acostuma com conteúdos fáceis, e aquilo que exige reflexão passa a ser evitado”, ressalta.
A psicóloga Victória Pannunzio avalia que o formato animado pode suavizar a percepção de conteúdos mais pesados. “Mesmo sabendo que se tratam de personagens fictícios, o espectador ainda se envolve emocionalmente, mas com menor intensidade”, explica.
Ela acrescenta que esse tipo de produção pode funcionar como uma forma de expressão e até de escape emocional, algo que não é necessariamente negativo. No entanto, faz um alerta sobre a forma como esses conteúdos são apresentados.
As novelas costumam ter estética semelhante à de desenhos infantis, com cores intensas e visual atrativo, o que pode facilitar o acesso do público mais jovem a temas inadequados.
Diante disso, especialistas reforçam a importância do acompanhamento dos pais e responsáveis. “O conteúdo está na internet e pode chegar até as crianças. É necessário observar, conversar e orientar”, afirma Maysa.
Victória também destaca que o consumo frequente de vídeos curtos pode impactar o desenvolvimento infantil. Segundo ela, ferramentas de controle parental nem sempre são eficazes, tornando essencial a presença ativa dos responsáveis no acompanhamento do que é consumido.
Com informações de Metrópoles.
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